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E foi assim a live de Natal de Caetano, não necessariamente nesta ordem:

“Sampa” e “Leãozinho” e “Trem das cores” e “Luz do sol” e Hannah Arendt e “A condição humana” e Domenico Losurdo e “Hegel, Marx e a tradição liberal” e “Moreno meu filho, o meu filho mais ligado ao recôncavo. Beijo, meu filho” e “eu troco o tempo todo os nomes dos meus filhos, como fazia minha mãe” e o netinho de sete meses de Caetano que canta pra se ninar enquanto Caetano passeia com o netinho no carrinho sacolejando no paralelepípedo: “Autoacalanto”.

E “um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante e pousará no coração do hemisfério sul”.

“E quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia” e “Terra” e por mais que tivesse ensaiado durante a semana, a canção não sai límpida na live do Caetano, sei, então tá bom, e que lindo isso o que Caetano acaba de dizer: “mas a beleza da canção consegue se impor e, por isso, nem vou pedir perdão”.

E a “Oração ao Tempo”:

“És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo”.

E “peço dias de outras cores para mim e meus amores”.

E “Eta, eta, eta, é a luz de Tieta” e “Maria Bethânia, please send me a letter” e referências respeitosas aos Natais de Roberto Carlos e Simone e “gente quer comer, gente quer ser feliz, gente que respirar ar pelo nariz” e gente, caralho, “não é pra morrer de fome”, nem feito mosca, 185 mil, em pandemia e tantos e tantos e tantos prantos neste país de “agora que faço eu da vida sem você?”…

E a mensagem definitiva, uma dúvida, para escrever nos cartõezinhos de Natal: “existirmos: a que será que se destina?”.

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