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Apregoado como “direita civilizada”, Rodrigo Maia volta e meia dá em si próprio uma nova demão deste verniz, como no dia 23 de março deste ano, quando o presidente da Câmara disse que não seria o investidor quem tomaria decisões sobre questões de saúde pública no Brasil, especificamente sobre a continuidade ou o fim das medidas de isolamento físico: “risco é assim, ou ganha ou perde”.

O tempo passa, o tempo voa, e no último sábado, 17, Rodrigo Maia disse que “deixou bem claro” a investidores que o estado de calamidade no Brasil por causa da covid-19 não será renovado para 2021, porque “não há caminho fora do teto de gastos” – a não ser, claro, o caminho da cova.

Justamente porque os tempos são de “teto de gastos” públicos, o estado de calamidade garante, pelos menos em termos orçamentários, os recursos que forem necessários para o país lidar com a pandemia.

Na agenda oficial da presidência da Câmara dos Deputados, consta que o último compromisso, digamos, republicano de Rodrigo Maia, como discutir decisões que terão impacto na saúde pública do país durante uma pandemia que já deixou mais de 150 mil brasileiros mortos, foi uma participação, via Zoom, na última quarta-feira, 14, na abertura do 10º Seminário Internacional de Administração Pública e Economia.

De lá para cá, “nenhum compromisso encontrado”, inclusive no último sábado, dia em que Maia, “conversando com investidores”, discutiu, prestou contas, deixou bem claro, prometeu o que prometeu na qualidade de presidente da câmara baixa do Congresso Nacional. Investidores, quem? Isso, nem na agenda oficial a “direita civilizada” se dá mais ao trabalho de anotar.

Uma pista: exatamente um ano antes, no 17 de outubro de 2019, a agenda oficial da presidência da Câmara informava compromisso de Rodrigo Maia no “1º Advisors Day – BTG Pactual – Panorama e Tendências do Mercado”, na Casa Fasano, endereço de investidores, por assim dizer, em São Paulo.

No último 15 de outubro, dois dias antes de Rodrigo Maia garantir a investidores o fim do estado de calamidade, o BTG Pactual publicou um cálculo segundo o qual o Orçamento 2021 “tem potencial para superar em R$ 20 bilhões a regra que impõe um teto para os gastos do setor público”.

E para quem tem dúvidas sobre o que faz investidores e seus fiadores políticos felizes, o relatório do banco de investimento BTG Pactual termina assim:

“Não há dúvida de que a prioridade deve ser avançar em medidas que garantam a viabilidade matemática e a credibilidade do atual quadro fiscal”.

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2 Comentários

  1. Fiz uma pesquisa no google com o título dessa matéria “Agenda não informa com quem Maia discute (menos) recursos contra pandemia” e não apareceu nada do site de vcs. Já tinha feito a mm coisa antes e nada tb. Boicote contra vcs?

    1. Alfredo, pode ser uma questão de tempo (o artigo foi publicado há minutos), ou pode ser algo que precisa melhorado tecnicamente no site. Não acredito que seja boicote.

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