De dono de ‘pixulecos’ a ‘aliado autorizado’ do partido de Bolsonaro

De dono de ‘pixulecos’ a ‘aliado autorizado’ do partido de Bolsonaro

Neste sábado, 11, mais cedo, este Come Ananás mostrou que a entidade Colégio Notarial do Brasil (CNB), que congrega 90% dos cartórios de notas do país, vem tentando enquadrar os tabeliães que ainda não se revelaram, digamos, “aliados” de Jair Bolsonaro, tendo em vista que aparentemente há notários que vêm resistindo à “parceria” firmada entre a CNB e o Aliança pelo Brasil para azeitar a coleta de apoiamentos para a criação formal do novo partido, talvez a tempo de o Aliança disputar as eleições 2020.

O próprio site do Aliança fala em pessoas, “aliados”, que vêm enfrentando “problemas nos cartórios”, como cartórios que se recusam a fazer as vezes de armazéns de fichas de apoiamento ao novo partido.

A “parceria” entre a CNB e o partido de “pessoas leais a Bolsonaro” consiste basicamente nisso: cartórios de notas guardam fichas preenchidas de apoiamento ao Aliança e lá pelas tantas passam os coletores, “aliados autorizados”, para recolher a papelada.

Matéria publicada também neste sábado na Folha de São Paulo mostra que a partir da próxima semana Jair Bolsonaro irá participar de eventos do Aliança pelo Brasil na região Nordeste, a fim de amealhar assinaturas de apoiamento para a criação do partido.

No Nordeste, um dos “aliados autorizados” a correr cartórios, todos os do Rio Grande do Norte, para recolher fichas atende por Hélio Imbrósio Oliveira. É o que consta no documento “Autorização Para Retirada De Fichas de Apoiamento em Cartório de Notas”, assinado pela advogada do Aliança, Karina Kufa.

Hélio Imbrósio Oliveira é coronel da reserva da Força Aérea Brasileira. Em 2015, ele registrou um boletim de ocorrência após bonecos infláveis “pixulecos” de Lula e Dilma Rousseff serem furados por militantes de esquerda durante uma manifestação anti-Dilma em Natal. O episódio ficou famoso por causa da agressão sofrida pelo professor Daniel Valença, inclusive com choque elétrico, por seguranças da manifestação, tudo sob os braços cruzados da Polícia Militar do Rio Grande do Norte.

Na época, no boletim de ocorrência, Hélio Imbrósio Oliveira disse ser dono dos “pixulecos” e citou prejuízo de R$ 24 mil. Ex-dono de “pixulecos”, Helio consta no site do PSL como presidente no Rio Grande do Norte do ex-partido de Bolsonaro. Acumula esta função com a de “aliado autorizado” do novo partido, do “novo Brasil” – autorizado a recolher fichas de apoiamento ao Aliança nos cartórios de notas potiguares.

Notável.

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