Thiago Silva, certeiro, sobre Bolsonaro: ‘ele é fanático, como eu e você’

Thiago Silva, certeiro, sobre Bolsonaro: ‘ele é fanático, como eu e você’

Matéria publicada na Folha Online horas depois da final da Copa América informa tanto sobre como foi possível que Jair Bolsonaro, tudo o que ele representa, chegasse ao poder no Brasil quanto sobre a pauta em si da reportagem, essa: como foi a reação dos jogadores da seleção à presença de Bolsonaro em campo, ganhando medalha e levantando a taça.

Conta a Folha que, após a partida, 10 jogadores da seleção manifestaram à reportagem apoio à presença de Bolsonaro em campo: Marquinhos, Miranda, Daniel Alves, Allan, Phillippe Coutinho, David Neres, Richarlison, Lucas Paquetá, Alex Sandro e Thiago Silva, um dos mais experientes do grupo. Disse assim o Thiago, com involuntário duplo sentido, de um ex-capitão sobre um ex-capitão: “Ele é fanático, como eu e você”.

A Folha informa que outros três jogadores brasileiros chegaram a chamar Bolsonaro de “mito” no gramado do Maracanã: Fagner, William e Cássio. Não, não se trata de algo na água do Parque São Jorge, onde os dois primeiros se criaram e o terceiro se firmou no futebol. Bolsonaro foi eleito com 57,7 milhões de votos e 33% dos brasileiros ainda apoiam seu governo, mesmo depois de tudo.

Tudo o quê, afinal? Aos jogadores da seleção a Folha perguntou, candidamente, se eles aprovam “misturar política com futebol”. Não seria razoável esperar que a Folha perguntasse sobre misturar futebol e fascismo, que nem o jornal nem seus assinantes são dados a dar a coisas como “o coiso” os nomes elas têm.

Só durante os dias que antecederam a final da Copa América, e só para ficar nos episódios mais grotescos, o presidente da República defendeu que crianças deveriam trabalhar e disse que “o Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer”, referindo-se às críticas à devastação ambiental sem precedentes no país – uma devastação que seu governo sequer esconde, nega, mas anuncia, orgulhoso.

‘Algo dentro da normalidade’

Seria razoável, porém, perguntar ao escrete pelo menos sobre as facetas mais tacanhas da destruição em curso do país, já que todo jogador da seleção brasileira gosta de repetir que veste a camisa da CBF para “defender o Brasil”. Como a Folha, aliás, em seu slogan: um jornal “a serviço do Brasil”, tipo o Neymar…

Não passa de uma dura metáfora que toda a zaga titular brasileira tenha transigido com Jair Bolsonaro em campo: Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro. Daniel Alves, cantando aos berros o Hino Nacional, lembrou Hamilton Mourão tomando posse no Congresso, fazendo o juramento aos berros, como vice-presidente da República.

Zagueiro reserva, Miranda disse à Folha, sobre Bolsonaro em campo, como tanto disse a Folha sobre Bolsonaro concorrer à presidência da República, ocupando-a, no fim das contas: “algo dentro da normalidade”.

“Algo dentro da normalidade”, parece seguir entendendo, incorrigível, a Folha de S.Paulo. E assim “seeegue o jogo”, como diria o grande Milton Leite; assim caminhamos. Rumo, digamos, ao Qatar.

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