“O Holocausto pode ser perdoado? Bolsonaro diz que sim”, dizia o New York Times no dia 13 de abril do ano passado, intitulando assim matéria sobre uma famigerada declaração, mais uma, dada por Jair Bolsonaro.

A declaração havia sido dada em um encontro com pastores evangélicos, e quando Bolsonaro falava precisamente da sua visita, dias antes, ao Yad Vashem, o memorial oficial de Israel às vítimas do Holocausto, que fica em Jerusalém.

“Nós podemos perdoar, mas não podemos esquecer”, foi o que disse o Capitão Caserna.

Na época, a declaração provocou fortes condenações do presidente de Israel, Reuven Rivlin, que afirmou que “nós nunca vamos perdoar nem nunca vamos esquecer”; e da própria direção do Yad Vashem, que rebateu Bolsonaro, em comunicado, dizendo que não é direito de ninguém determinar se os crimes cometidos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial podem ser perdoados.

Na última quinta-feira, 23, o Yad Vashem foi sede do quinto Fórum Mundial do Holocausto. Coincidindo com o 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, que será comemorado nesta segunda, 27, a edição 2020 do fórum foi simplesmente o maior evento diplomático da história de Israel, com representantes de mais de 40 países.

Estiveram lá, por exemplo, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e o príncipe Charles. Donald Trump mandou seu vice, Mike Pence.

Alguns dias antes do Fórum Mundial do Holocausto, o secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, caracterizou-se de Joseph Goebbels, montou um cenário imitando o escritório de Goebbels no ministério da Propaganda nazista, botou Wagner na vitrola e recitou Goebbels em um vídeo institucional.

Um dia antes do fórum, o portal UOL informou, citando o Itamaraty, que o “governo israelense consultou o Brasil sobre a possibilidade de ida ao evento do Presidente Jair Bolsonaro, que declinou em virtude de visita à Índia”.

No mesmo dia, porém, o jornal israelense Jerusalém Post informou, citando o diretor-geral do Yad Vashem, Harel Tubi, que países como Brasil, Cazaquistão e Kosovo pediram para participar do Fórum Mundial do Holocausto, mas foram informados que isso não seria possível, porque, segundo Tubi, esses países “não participaram da II Guerra Mundial”.

Cazaquistão e Kosovo não existiam enquanto países independentes na época da II Guerra Mundial. O Cazaquistão, por exemplo, era República Socialista Soviética Cazaque. Já o Brasil é independente, pelo menos no papel, desde 1822. E o Brasil, sim, participou da II Guerra Mundial.