Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Não há subalterno de Walter Souza Braga Netto, segundo general da hierarquia do Exército, que se acanhe em dizer que a participação do Brasil na missão da ONU de “estabilização” do Haiti – que teve comandos dos generais Augusto Heleno e Santos Cruz -, deu cancha à tropa, entre outras serventias, para ocupações militares na Guanabara, ou melhor, no Rio de Janeiro, como a do Complexo do Alemão, entre 2010 e 2012, e a do Complexo da Maré, entre 2014 e 2015.

A ocupação militar da Maré, por seu turno, talhou a força terrestre para a ostensiva militarização da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, dois anos atrás, quando moradores que entravam e saíam da favela eram fotografados por militares junto com seus respectivos Registros Civis – e esse foi o lado ameno da ocupação da “favela teste”.

“Favela teste”: a ostensiva militarização da Vila Kennedy, por seu turno, foi piloto da intervenção decretada por Michel Temer em todo o Rio de Janeiro, e que durou praticamente todo o fatídico ano de 2018.

Já a intervenção no Rio foi tipo workshop para todo o país, conforme afirmou o “general interventor” Braga Netto no dia 27 de fevereiro de 2018: “o Rio de Janeiro, ele é um laboratório para o Brasil. Se será difundido o que está sendo feito aqui para o Brasil, aí já não cabe a mim responder”.

Mineiro de Belo Horizonte, Braga Netto será o novo chefe da Casa Civil da Presidência da República, rendendo Onyx Lorenzoni. O general ocupará o cargo que já foi de Darcy Ribeiro.

https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1228041647419744259/photo/1

No cargo, Darcy tentou, em vão, chamar setores das Forças Armadas à razão quando outro general, Olímpio Mourão Filho, mineiro de Diamantina, botou a 4ª Divisão de Infantaria para marchar na BR-040 com o fito de ocupar a cidade do… Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, precipitando o golpe civil-militar de 1964.

Mais tarde, Darcy escreveu:

“A tropa que saíra do quartel de Juiz de Fora era formada por recrutas com menos de três meses de caserna. Voltaria correndo para casa se fosse lambida por algumas metralhadoras da aviação fiel ao governo”.

Nesta quinta, 13, o Valor Econômico informa que “Braga Netto tem trânsito no empresariado”. Mourão Filho foi informado mais ou menos da mesma coisa, enquanto fumava um cachimbo, antes de botar na estrada a “Operação Popeye”.

Olímpio Mourão Filho, fumando seu inseparável cachimbo.

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