É forte por si só a imagem do jovem Anthony Araya, de 16 anos, estirado inconsciente na margem do rio Mapocho, depois de ser empurrado de uma ponte por um carabineiro (membro da polícia nacional chilena) durante uma manifestação nesta sexta-feira, 2, em Santiago do Chile.

Mas esta imagem tem um significado macabro adicional: no rio Mapocho a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) atirava corpos de dissidentes trucidados em suas mãos.

“Eu vi corpos boiando no Mapocho”, disse, há alguns anos, Carlos Minc, que foi detido em Santiago no dia do golpe contra Salvador Allende.

A seguir, o vídeo do momento do crime contra Anthony Araya:

Araya sofreu fraturas no crânio e nos pulsos e está internado em estado grave.

O Chile está a menos de um mês do referendo que vai decidir se o país sepulta de uma vez por todas a constituição de… Pinochet, carta reacionária que vigora no país desde 1980. A violência carabineira contra o jovem Araya aconteceu justamente durante uma manifestação contra a constituição da ditadura.

Interpelado pelo que uma agência internacional de notícias teve o desplante de classificar como “polêmico incidente” (e de relatar que “um adolescente caiu”), um chefe carabineiro disse que sua tropa está “fazendo seu trabalho. Os carabineiros estão restabelecendo a ordem pública”.

Do inferno, o general sorri.

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