‘São muito óbvios’: grupo de Macri vai à Justiça para barrar novo candidato peronista

‘São muito óbvios’: grupo de Macri vai à Justiça para barrar novo candidato peronista

Quatro dias depois de Alberto Fernández ser anunciado como cabeça de chapa de uma coalização peronista para disputar a presidência da Argentina, e no dia exato em que começou o julgamento da vice na chapa, Cristina Fernández Kirchner, o grupo que sustenta o desastroso governo de Maurício Macri anunciou que irá denunciar o novo candidato peronista por “associação criminosa”.

Quem disse, nessa terça-feira, 21, que a direita argentina vai levar Alberto Fernández à justiça foi Mariana Zurvic, deputada do Mercosul pela Coalición Cívica, partido que integra o Cambiemos, coalização que sustenta Macri.

“São muito óbvios”, resumiu o economista, jornalista e político Itai Hagman.

A cinco meses da eleição, Cristina Fernández Kirchner abriu mão de ser novamente candidata à presidência da Argentina, por mais que liderasse as pesquisas de intenção de voto. Tendo à frente um processo judicial também por “associação criminosa”, para desvio de dinheiro público, seu nome na cabeça de chapa significaria dificuldades redobradas para costurar o mais amplo apoio possível para derrotar Macri em outubro.

Carroças

Mariana Zurvic classificou Fernández, que foi chefe de gabinete de Néstor Kirchner, como testaferro político de Cristina. Após o anúncio pelo peronismo da estratégia “Fernández-Fernández” para a eleição de outubro, sites e colunistas brasileiros, bolsonaristas, não demoraram para classificar Alberto Fernández como “o poste” de Cristina, como fizeram com Fernando Haddad em relação a Lula, que só abriu mão da sua candidatura nos acréscimos da prorrogação.

São muito óbvios também, certos sites e colunistas brasileiros.

A suposta “associação criminosa” de Alberto Fernández seria com membros do próprio judiciário argentino, e teria como finalidade impedir o início do julgamento de Cristina Kirchner.

Que alguém anuncie uma denúncia de “associação ilícita” para impedir um julgamento precisamente no dia em que esse julgamento começou, é dessas coisas que pouco importam para a “nova” direita latinoamericana e seus apoiadores, aqueles que puxam as carroças.

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