Chamem o Molina: pisca o Telegram no notebook de Deltan Dallagnáudio?

Chamem o Molina: pisca o Telegram no notebook de Deltan Dallagnáudio?

Em 28 de setembro do ano passado, dia em que Deltan Dallagnol gravou o áudio que o Intercept Brasil divulgou nesta terça-feira, 9 – o primeiro da prometida série de áudios da Vaza Jato -, o chefe dos procuradores da Lava Jato foi ao Twitter, em vídeo, dar dicas de como escolher candidatos para votar nas eleições 2018.

No vídeo, o que parece ser o ícone do Telegram (a resolução é ruim, de modo que não é prova, nem há convicção) aparece na barra de tarefas do notebook de Dallagnol com notificação de novas mensagens.

Os Telegram Papers revelados pelo Intercept Brasil mostram que em dezembro de 2015 Dallagnol orientou Sergio Moro, então juiz da Lava Jato, a utilizar o Telegram também no computador, além de no celular.

A Polícia Federal, chefiada por Moro, não recolheu, nem recolherá o celular de Deltan Dallagnáudio, para perícia. Nem seu notebook HP, com toda aquela frenética barra de tarefas, com toda a pinta de ser o hardware de onde saiu o trabalho de PowerPoint mais famoso da história do Brasil.

Talvez alguém chame o Molina, o perito de Michel Temer. O perito da bolinha. Não as bolinhas do slideshow da denúncia de Lula por Dallagnol no caso do Triplex, mas a bolinha que atingiu a coroa de José Serra durante um corpo-a-corpo na campanha eleitoral de 2010. Segundo Molina, o “objeto” era “bem mais pesado que uma bolinha de papel”.

Harvard vai ao quiz

O áudio em que Dallagnol conta à sua equipe o “segredo” que lhe foi passado por seu “pessoal” no Supremo foi enviado às 23:36h. Mais cedo, às 15:30h, Dallagnol publicou o vídeo em que, usando um boné de Harvard, promove um site, uma “ferramenta apartidária” para escolha de candidatos. Um quiz…

Não é possível afirmar que o vídeo foi uma “live”, ou seja, se foi publicado no instante mesmo em que foi filmado, ou se foi uma gravação postada a posteriori.

Mas, como mostra o Intercept, naquele 28 de setembro de 2018, dia de áudio, os procuradores da Lava Jato discutiram intensamente no Telegram a autorização dada por Ricardo Lewandowski para que a jornalista Mônica Bergamo, da Folha, entrevistasse Lula na prisão.

À espera de um milagre

“Discutiram” não é bem a palavra ideal. A procuradora Anna Carolina Resende, por exemplo, escreveu no chat às 11:24h: “ando muito preocupada com uma possível volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve”.

Dallagnol respondeu: “Valeu, Carol! Reza sim. Precisamos como país”.

O “milagre” do 28 de setembro de 2018 veio mais tarde, e não veio do espaço, mas do Supremo. Os devotos da Lava Jato, afinal, confiam no Deus dos Exércitos como em Luiz Fux.

Em discurso feito num evento da XP Investimentos na última sexta-feira, 5, Fux, Adiantador-Geral da República, adiantou, dessa vez publicamente, qual será o mote do seu turno na presidência do Supremo, em 2019: “quero garantir que a Lava Jato vai continuar. E essa palavra não é de um brasileiro, é de alguém que assume a presidência do Supremo Tribunal Federal no ano que vem, podem me cobrar”.

Parafraseando a epístola do apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 8, versículo 32: “Se a última instância é por nós, quem será contra nós”.

Miquinhos amestrados

Às portas da meia-noite, no primeiro Dallagnáudio revelado pela Vaza Jato, o Louva-a-Deus de Curitiba adiantou aos colegas o que, ao que parece (a resolução de tudo o que acontece no Brasil é muito ruim…), lhe haviam adiantado dos interiores do STF: “Caros, o Fux deu uma liminar suspendendo a decisão do Lewandowski que autorizou a entrevista. O pessoal pediu pra gente não comentar aí publicamente, pra evitar, pra não precipitar recurso de quem tem uma posição contrária à nossa”.

O cineasta José Padilha, que dirigiu a série “O Mecanismo”, da Netflix, poderia pensar em filmar “O Pessoal”. Seria uma série original Netflix/Harvard sobre, digamos assim, outra “ferramenta apartidária”, pois sim, para escolha de candidatos nas eleições 2018.

Já tem áudio, pode ser que já tenha vídeo (aguardemos o Molina) e, no caso do ex-morista Padilha, fica uma sugestão de música tema: “Lágrimas de crocodilo”, da banda João Penca e Seus Miquinhos Amestrados.

Ah, os miquinhos amestrados… Sem eles, não estaríamos aqui.

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