Alô, Globo, ‘Democracia em Vertigem’ não será o Brasil no Oscar?

Alô, Globo, ‘Democracia em Vertigem’ não será o Brasil no Oscar?

Dois minutos de Jornal Nacional não é pouco tempo não.

Em menos de um minuto, no dia 3 de abril de 2018, William Bonner leu na bancada do JN uma última informação daquela jornada: leu, na íntegra, o tuíte do então comandante do Exército, general Villas Bôas, em que ele ameaçava o STF, nomeadamente a titubeante Rosa Weber – cujo voto era “um mistério” – na véspera do julgamento do Habeas Corpus preventivo de Lula naquela egrégia corte.

Na época, Eduardo Bolsonaro postou também no Twitter o vídeo daquela última informação do JN, com o seguinte comentário sobre aquele golpe dentro do golpe de 2016:

Dez anos antes, no dia 17 de fevereiro de 2008, foram dois minutos que o JN dedicou para reportar o Urso de Ouro dado naquele ano ao filme Tropa de Elite, de José Padilha, pelo juri do Festival de Berlim.

Dias antes, o portal G1, das Organizações Globo, noticiava que “Variety aponta fascismo em Tropa de Elite”. Só a Variety…

Naquele JN de 17 de fevereiro de 2008, Sandra Annenberg chamou sorridente a matéria de Marcos Uchôa sobre o Urso de Ouro para o “Tropa”. Teve Wagner Moura, que interpretou o herói da galera capitão Nascimento, dizendo o seguinte:

“Pra nós, que fomos muito mal entendidos, muito mal interpretados, muito acusados, foi muito bom. É um sinal de que alguém entendeu o que nós quisemos fazer”.

E Marcos Uchôa fechou a matéria assim:

“O filme deixou nas ruas expressões como ‘pede pra sair!’, ‘nunca serão’, ‘aspira’. Polêmico ou não, essas são provas de que caiu no gosto popular”.

‘Touro Ferdinando’

Não dois, mas quatro minutos – e 30 segundos – foi quanto durou uma reportagem do Jornal Nacional sobre o diretor brasileiro Carlos Saldanha às vésperas da cerimônia do Oscar 2018, quando “Touro Ferdinando”, de Saldanha, concorria ao prêmio de melhor filme de animação.

“Touro Ferdinando”, que é muito legal, é uma animação estadunidense, do estúdio 20th Century Fox.

A ‘narrativa’ vai ao Oscar

Nesta segunda-feira, 13, o Jornal Nacional mencionou quase que en passant, em coisa de meio minuto, a indicação do documentário brasileiro “Democracia em Vertigem” para o Oscar 2020, numa matéria de mais de três minutos sobre a lista de indicados.

“O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff visto pelos olhos da cineasta Petra Costa”, disse o JN sobre “Democracia em Vertigem”. Só faltou evocar aquela palavrinha mágica destes tempos, “narrativa”, para se referir a um filme que não é sobre “o impeachment de Dilma Rousseff”; é sobre o golpe de 2016 e concorre na categoria “é tudo verdade”.

“Democracia em Vertigem” não é, mesmo, o melhor filme do mundo, nem o melhor DOC sobre o golpe de 2016 e a Grande Marcha Para Trás no Brasil (alguém aí já viu “Excelentíssimos”?). Mas, mesmo assim, “Democracia em Vertigem” não será, para o monopólio, o Brasil na Libertadores, digo, o Brasil no Oscar?

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