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Ora em guerra da vacina e por 2022, os governos federal e do estado de São Paulo – um mais, outro menos fascistinha – convergem em sintonia de lago dos cisnes em matéria de pôr o Brasil no prego, e na ânsia vender tudo o que é de todos coincidem até no vocabulário e estratagemas caros ao setor privado, se não ao dos vendedores de Yakult, para tratar, ou melhor, para alienar a toque de caixa o patrimônio público.

No último 1º de dezembro, o governador de São Paulo, João Dória, comandou pessoalmente um “roadshow” a potenciais investidores chineses no qual ofereceu na bacia das almas um “amplo programa de desestatização em rodovias, ferrovias, metrô, aeroportos, transporte fluvial, parques, áreas e complexos esportivos” no estado de São Paulo.

Entre as “novas oportunidades em concessões e parcerias”, Dória e secretários puseram na mesa rodovias, o complexo do Ibirapuera e até um zoológico, além de 22 aeroportos regionais, estes a um custo total de investimento de US$ 80 milhões. Em média, cada aeroporto sairia por US$ 3,6 milhões. O valor não compra um Phenom 100 da Embraer, jato executivo mais usado no Brasil, que custa cerca de US$ 4,5 milhões.

A secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patricia Eller, prometeu regime de “Fast Track”, jargão do mundo dos negócios para aceleração de processos. O secretário da Fazenda de Dória, o velho e bom para os negócios Henrique Meirelles, prometeu “toda formação de mão de obra, infraestrutura, todo um processo de formação de cluster, isto é, de empresas que tenham a operação facilitada”.

Dois dias depois do “roadshow” de Dória para os chineses, foi a vez de o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, fazer o seu, o seu “roadshow”, no dia 3 de dezembro, para representantes do Bank of America, para quem Tarcísio fez uma exposição da venda até agora pelo governo Bolsonaro de 32 “ativos”, entre portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, e prometeu mais para 2021.

Vendedores de Yakult, que de enciclopédias, de qualquer coisa ilustrada, definitivamente não são.

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