Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados.

Caso Rodrigo Maia, no futuro, venha pedir desculpas mais uma vez a um ministro da Fazenda, ou “da Economia”, poderá pedir também música no Fantástico. Quem sabe “Pedras que cantam”, de Raimundo Fagner: “ô tempo duro no ambiente/ô tempo escuro na memória/o tempo é quente/e o dragão é voraz”.

O pedido de desculpas que Rodrigo Maia acaba de fazer a Paulo Guedes veio quatro anos depois do pedido de desculpas que Rodrigo Maia fez a Henrique Meirelles, em 2016, quando Meirelles era ministro da Fazenda do governo golpista de Michel Temer. Desculpa aí, sempre em nome do arrocho fiscal, vulgo “ajuste”.

Naquela feita, Maia pediu desculpas ao governo pelas palavras “fora do tom” ditas por ele quando chegou ao seu pavilhão auricular que o secretário de Fazenda do ministério capitaneado por Meirelles, Jorge Rachid, atuava nos bastidores para desfazer mudanças feitas pelos deputados, e acordadas com Meirelles, no projeto de repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior.

“Não trate a gente como palhaço” foram as palavras “fora do tom”. Isto foi em outubro de 2016. Em troca do apoio de Meirelles ao projeto de repatriação, Maia “se comprometeu com a agenda de reformas do governo”.

Isso foi em outubro. Em dezembro, Maia recebeu Meirelles para um almoço “em clima de reconciliação”, após contendas em torno do projeto de socorro fiscal sem contrapartida para os Estados. No almoço, o presidente da Câmara reiterou, mais uma vez, seu “compromisso com o ajuste fiscal”.

Agora, Maia, em nome do “equilíbrio fiscal”, pede desculpas a Paulo Guedes por tê-lo chamado de “desequilibrado”, porque este é Rodrigo Maia, expoente da “direita civilizada”, aquele que no último 12 de agosto apareceu em uma coletiva ao lado de Bolsonaro para reiterar, para variar um pouco, seu compromisso com o teto de gastos em meio à carnificina promovida pela dobradinha coronavírus/governo federal.

Quanto a reiterar, reafirmar, ratificar seu compromisso com o arrocho requisitado pelas classes possuidoras às classes trabalhadoras brasileiras, Maia já poderia ter pedido mil e uma músicas no Fantástico. Quem sabe Jorge Aragão: “além do mais/ é bom lembrar/ que a vida segue/e quem sou eu/pra sacia a tua sede”.

Porém, módico, pudibundo, pede apenas desculpas.

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