Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Ainda que involuntariamente, porque o STF determinou a publicidade do vídeo, Ricardo Salles avisou a um país inteiro que faria e que faria agora, que reduziria a pó as regras brasileiras de proteção ambiental no “momento de tranquilidade” proporcionado pela pandemia, já que “a imprensa só fala em Covid”.

Tal e qual o assassino que avisa ao detetive Poirot quando irá dar cabo de suas vítimas, em “Os crimes ABC”, de Agatha Christie. Ao contrário de Poirot, entretanto, as instituições brasileiras – elas, sempre elas, elas nunca – não abalaram seus honoráveis traseiros.

Nomeadamente as bundas togadas: na última quarta-feira, 23, cinco dias antes de Ricardo Salles simplesmente extinguir as regras que protegem manguezais, o MPF cobrou decisão da Justiça sobre o afastamento do ministro por causa do episódio da “reunião do fim do mundo”, que não resultou sequer no fim do desgoverno Jair Bolsonaro – nem mesmo, como se vê na fumaça no céu, da (indi)gestão Salles no ministério do Meio Ambiente.

“Passar a boiada”, foi a expressão usada por Ricardo Salles naquela feita, em abril, emporcalhando a parlenda. Pois a boiada de Bolsonaro e Salles vai passando, como os meses e as estações; como o bastão da presidência do STF e, não demora, a cadeira do decano.

Começa assim um livro infantil do poeta Eucanaã Ferraz, quase igual à parlenda:

“Em cima daquela serra
passa boi, passa boiada”

E algumas páginas depois:

“Em cima daquela serra
Tem gente que não faz nada”

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