Foto: Marcelo Cortes/CRF.

Nem bem havia conseguido o adiamento da partida contra o Palmeiras reverteria a minutos da , evocando nobres motivos de saúde pública e instrumentalizando, como testa de ferro mesmo, o sindicato dos funcionários de clubes, o Flamengo correu para o colo genocida de Jair Bolsonaro a fim de tentar o aval para a presença de torcida no Maracanã em meio à pandemia de Covid-19.

No Maracanã, no Rio, onde há aumento de nada menos que 45% na média móvel das mortes por Covid-19, no último registro, o deste sábado, 26.

“Saúde pública. O resto é clubismo”, chegou a dizer o vice-presidente geral e jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee, cacarejando alguma ética para adiar a partida contra o Palmeiras.

Pois correu para Bolsonaro, o Flamengo, por intermédio da Secretaria Nacional de Futebol, depois que a CBF decidiu pela “isonomia para a volta gradual e ao mesmo tempo” do público aos estádios, desculpe, às “arenas” de todo o Brasil.

Nem esperou esfriar, o Flamengo, a decisão do TRT-RJ e 141.441 mil cadáveres, e contando. Nem as aparências importam mais. Importam os três pontos, e nada mais.

Atualização (27.set.2020, 17h30):

A minutos da hora marcada para a partida entre Flamengo e Palmeiras, o TST reverteu a decisão do TRT-RJ, e os times entraram em campo.

O que são 141.441 mil cadáveres diante dos três gols do Keno?

Isso aqui é Flamengo, porra: mais importam três pontos que mais de 140 mil mortos. O resto é “chororô”. E, para lavar as mãos, e a consciência, e a imagem, e a “responsabilidade social”, tome álcool em gel com rótulo rubro-negro para a periferia.

E o Mengão não está só.

Para o maior portal noticioso do Brasil, o UOL, mais de 140 mil mortos valem menos que os três gols do Keno pelo Atlético Mineiro, neste sábado, contra o Grêmio. Os três gols de Keno viraram o sábado para o domingo, 27, como manchete do portal, enquanto o informe sobre os mortos da pandemia – o maior número para um sábado em semanas – concorria em destaque com Bruno Gagliasso agradecendo à Rede Globo por tudo – obrigado, minha ama! – apesar de ter sido demitido.

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