Fascismo conta com diretoria do Fla, que conta com jornalistas esportivos

Fascismo conta com diretoria do Fla, que conta com jornalistas esportivos
Foto: Alexandre Vifdal/CRF.

Rodrigo Capelo, “jornalista especializado em negócios do esporte”, publica nesta segunda, 25, no site do Globo Esporte artigo sobre como “convicções de técnicos, dirigentes e jornalistas foram destroçadas pelo clube que ousou se organizar, pagar dívidas e seguir um planejamento. Precisamos aprender com essa história”.

Em seu artigo, Rodrigo Capelo diz assim:

“Pelo futebol apresentado dentro de campo e pela recuperação administrativa e financeira que levou sete anos para ser concluída, este Flamengo tem tudo para causar transformações sistêmicas ainda mais perceptíveis do que o 7 a 1”.

E especificamente sobre a diretoria do Flamengo:

“Eis que a bagunça política rubro-negra elegeu em dezembro de 2012 um presidente sereno e capacitado, Eduardo Bandeira de Mello. Ainda mais importante, junto dele estava um grupo de pessoas com experiência no mercado. Em todos os departamentos que estão no entorno do futebol – jurídico, financeiro, marketing, comunicação etc – entraram pessoas que mudaram práticas e procedimentos. Mesmo com a cisão deste grupo, que colocou em lados distintos Bandeira e o atual presidente, Rodolfo Landim, a qualificação continuou a ser regra na administração”.

Nem uma palavra

Sobre a diretoria apresentada como exemplo a seguir, nem uma palavra é dita no artigo sobre a maneira como ela vem se portanto em relação ao incêndio no Ninho do Urubu, quando dez meninos morreram; sobre essa diretoria ter desautorizado uma homenagem ao atleta Stuart Angel, que foi Flamengo até morrer, ou melhor, até ser assassinado pela ditadura militar; sobre a orgulhosa aproximação dessa diretoria com figuras notórias do fascismo no Rio e a nível nacional.

Nem uma palavra sobre tudo isso, no artigo de Rodrigo Capelo. Nem uma palavra sobre isso tudo, nem sequer uma ressalva, da parte de certos jornalistas esportivos renomados e conhecidos pelo apurado espírito crítico, quando repercutiram o artigo do “jornalista especializado em negócios do esporte”:

Nem uma palavra, de resto e de parte a parte, sobre o silêncio da diretoria do Flamengo ante o violento ataque à festa da torcida do Flamengo por parte da polícia comandada pelo governador fascista que estava empoleirado no carro de som.

A diretoria de Vichy

Quando da ocupação nazista da França, como qualificar quem transigia com o governo colaboracionista da França, o governo de Vichy?

Será que a especialização do jornalismo (de economia, de política, de turismo, de cultura, de tecnologia, de esporte) se deu a tal ponto a ponto de autorizar mesmo suas melhores figuras a ignorarem o que no fim das contas é o que realmente importa – o Homem, não a bola?

Quem poderia, ou teria mais condições, de se fazer ouvir contra o avanço das forças antidemocráticas, cada um em sua seara, pode se abster de fazer isso, em nome do sucesso em campo e das contas no azul? É a isso que chamam “profissionalismo”?

Qual a diferença entre jornalistas esportivos louvando a diretoria de Vichy por conta do sucesso em campo combinado com as contas no azul, para alegria da “Nação”, e Jair Bolsonaro louvando Pinochet por conta das reformas que teriam levado “prosperidade” ao povo chileno?

No Brasil atual, o fascismo conta com a diretoria do Flamengo. A diretoria do Flamengo, pelo visto, conta com jornalistas esportivos – e não só os esportivos -, pelo menos a maior parte deles.

Mas tudo isso parece secundário, para não dizer irrelevante, porque, afinal, “isto aqui é Flamengo”. É espantoso, para não dizer que é uma vergonha.

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