A Folha de S.Paulo, que anda à cata de novos assinantes com a promessa de “notícias úteis e inspiradoras”, a Folha publicou no último dia de 2019 um artigo do advogado Ricardo Sayeg no qual o autor contrapõe o que chama de “direitos dos manos” ao que chama de “reais direitos humanos” – um troço laaaaato sensu de “o bem estar de todos”, em vez de, por exemplo, o direito a não ter sniper mirando a cabecinha ou a não levar vassourada de “caveira” no cu.

Sayeg, que numa Democracia não poderia, portanto, ser professor universitário de Direitos Humanos, como é da PUC-SP, diz ainda, no espaço que a Folha lhe arreganhou, que Jair Bolsonaro invocou Deus, e “parece que Deus ouviu o nosso presidente”, e que o balanço dos direitos humanos no Brasil em 2019 é “positivo”, porque a Selic baixou, teve a “lei dos direitos de liberdade econômica” e passou a reforma da Previdência…

Não é a primeira vez que a Folha de S.Paulo se arreganha toda, gemendo “pluralidade de ideias”, para Ricardo Sayeg falar em “direitos dos manos” e outras bandalheiras protofascistas.

No dia 13 de março de 2018, a Folha publicou o artigo “Deus abençoe nossos soldados”, de Sayeg, no qual Sayeg dizia, sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro, que “temos que apoiar as Forças Armadas nesta guerra, admitindo a possibilidade de confronto armado. Assim, infelizmente, pessoas podem ser abatidas —inclusive com a possibilidade de mortes de civis”.

Na época, Ricardo Sayeg era presidente da Comissão de Direitos Humanos do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP). Na época, o site Justificando publicou o seguinte punch de Frederico de Almeida, que é professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas:

“Em artigo sobre a intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro, publicado na Folha de São Paulo, nesta terça-feira (13), o advogado Ricardo Sayeg provavelmente bateu algum recorde nacional ao entulhar tantos lugares comuns em tão pouco espaço de texto. Suspeito que tenha superado as caixas de comentários dos grandes portais de notícias ou do Facebook, embora tenha tido ao menos a fineza de não escrever em caixa alta”.

Ricardo Sayeg vai assim, desse modinho, lecionando na PUC-SP sobre a “os reais direitos humanos, e não a sua deturpação, que são os direitos dos manos”. Segue, Sayeg, com seu registro intacto na OAB; arrebentando a boca do balão, twice, na Folha de S.Paulo, esta caixa de comentários com finesse, sem caixa alta, aprovados pelo moderador.

Virou o ano, e no primeiro dia de 2020 a Folha publica a notícia “inspiradora” de que entre os brasileiros caiu o apoio à Democracia. Mas que surpresa.

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