Folha publica, apática, ameaça de ação extrema contra o jornal

Folha publica, apática, ameaça de ação extrema contra o jornal
Foto: José Dias/PR.

A Folha de S.Paulo publica nesta segunda-feira, 2, o artigo “O infame editorial”, resposta do secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten, ao editorial da Folha “Fantasia de imperador”, que saiu no último sábado, 30 de novembro. Naquele editorial, o jornal diz que se Bolsonaro “não se contém, terá de ser contido”.

A Folha de São Paulo publica o infame artigo “O infame editorial” com grande destaque: com chamada no alto da capa de edição de papel e como manchete mesmo na Folha Online, sem sequer algum mínimo considerando sobre a gravidade do artigo, mas não sem logo abaixo um link de “assine a Folha”.

Para quem achava mesmo que a Folha de S.Paulo iria para o pau contra o fascismo instalado no poder, veja bem: a Folha de S.Paulo, nem bem esfriou o editorial “Fantasia de imperador”, publica portanto com destaque um artigo de um esbirro de Bolsonaro no qual é dito claramente que a imprensa tem mais é que se submeter ao governo que tem “o respaldo da maioria dos brasileiros”, e que a Folha, acusada por Wajngarten de conspirar contra o governo, “não tem o direito de atuar como atua”, além de, assim diz Wajngarten, juntar-se “aos que tentaram matar o então candidato Jair Bolsonaro”.

Para quem não entendeu, é o governo Bolsonaro, mais claramente impossível, ameaçando tomar uma ação extrema contra a Folha de S.Paulo. Para quem acha que o governo Bolsonaro não chegaria a tanto, bem, não é possível que alguém minimamente atento à situação política no Brasil ainda duvide disso.

A não ser que se leve a sério, por exemplo, Sergio Moro, quando Moro diz que é “um grande fã” da liberdade de imprensa. Ou mesmo o esbirro Wajngarten, que inicia o artigo no qual diz o que diz negando antecipadamente que seu texto seja “sintoma de qualquer censura à imprensa”.

É, isto sim, fascismo puro. Mas, pelo visto, a Folha segue considerando o mais puro fascismo como “outro lado”, ou um que tal postulado do seu manual da redação para tempos normais; segue, a Folha, sem indicar com precisão os traços do rosto do inimigo, por mais que o inimigo a cada dia que passa escancare mais e mais a sua fuça.

Até que alguma polícia ou alguma milícia meta o pé na porta da alameda Barão de Limeira, 425, como em 1933 os camisas-pardas invadiram a redação do Der gerade Weg, na rua Hofstatt, Munique, e levaram preso o jornalista responsável, que haviam encontrado trabalhando de boas, como se nada estivesse acontecendo na Alemanha.

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