Em editorial publicado nesta quinta-feira, 26, o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo, pede que Jair Bolsonaro peça para sair ou que seja retirado – mas só da cena do enfrentamento ao coronavírus.

Diz a Folha no editorial intitulado “Bolsonaro, retire-se”:

“Diante da magnitude dos esforços necessários para mitigar os efeitos devastadores da epidemia do coronavírus sobre a saúde e a economia do Brasil, será preciso encontrar meios de anular, e logo, a capacidade de Jair Bolsonaro de estorvar a mobilização de guerra necessária para atravessar, com os menores danos possíveis, este episódio dramático da vida nacional”.

E diz também:

“Para articular, com respeito ao conhecimento sanitário e econômico, todos esses esforços extraordinários, Bolsonaro precisa delegar poderes a uma força-tarefa que reúna as equipes técnicas da Saúde e da área econômica e dialogue com Congresso e governadores”.

Não é que não seja grande coisa, porque Jair Bolsonaro baralha tanto a cena e o debate políticos, e também o enfrentamento ao coronavírus, a ponto de pôr em risco iminente de vida, ou de morte, enorme parcela da população.

Dito isso, é importante dizer também que recomendar que “equipes técnicas da Saúde e da área econômica deveriam liderar a gestão da crise” significa entregar a gestão da crise do coronavírus ao dublador de Mickey Mouse que é secretário de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia; o “técnico” que teve a ideia de autorizar o corte de quatro meses de salários dos trabalhadores para “enfrentar” a pandemia.

A Folha, por seu turno, aparentemente teve a ideia de pedir mas não pedir a renúncia de Bolsonaro, a fim de pedir sem pedir também que se entregue o enfrentamento à pandemia de coronavírus a uma task force liderada por Paulo Guedes.

A Folha, também ela, quer “preservar a economia”.