Gebran Neto, presidente autodeclarado do Poder Judiciário

Gebran Neto, presidente autodeclarado do Poder Judiciário
Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4.

A segunda instância judiciária foi, está sendo insuflada como salvadora da pátria, redentora do Brasil, na esteira do lawfare contra Lula. Fala-se até em uma nova constituinte só para dar à segunda instância o poder de pôr Lula de volta no xadrez. Não demora, e Gebran Neto vira “mito” e inflam na rua um boneco dele vestido de justiceiro de Gotham, ou de Metrópolis.

Pois então: aclamada, sobranceira, confiante, arrogante, a segunda instância apresentou nesta quarta-feira, 27, as alegações finais do lavatismo, por assim dizer, contra a hierarquia do sistema de Justiça, com a oitava turma do TRF-4 ignorando por unanimidade decisão do Supremo que deveria resultar na anulação da sentença da juíza Gabriela Hardt que condenou Lula a 12 anos de prisão no processo do sítio de Atibaia.

‘Desembargamoros’

Seguiram o relator Gebran Neto, no motim, os outros dois desembargadores da oitava turma, Leandro Paulsen e Thompson Flores. São os três daquela sala asséptica da Rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, 300, Praia de Belas, Porto Alegre, onde jaz o STF de outra trinca: “In Fux We Trust”, “Aha, uhu, o Fachin é nosso” e “89% Barroso”.

Não satisfeitos, insaciáveis, os três de Porto Alegre ainda ainda aumentaram a pena de 12 para 17 anos. Não demora, e chegam para os “desembargamoros” da oitava turma do TRF-4 convites para compor, também eles, o ministério do “novo Brasil”, talvez no mesmo instante em que ao STF chegam um cabo e um soldado.

Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4.

Do plágio ao ‘aproveitamento’

Gebran Neto e Leandro Paulsen foram indicados para o TRF-4 por Dilma Rousseff, juntos, em 2013. Escolhido, Gebran foi o terceiro colocado na votação que resultou numa lista tríplice de indicados por “merecimento”. Paulsen ganhou o emprego na segunda instância porque tinha “antiguidade” na primeira. Tinha 43 anos na época.

Nesta quarta, Paulsen chamou o copia e cola de Gabriela Hardt na sentença do sítio de Atibaia de “aproveitamento de estudos feitos pelo próprio juízo”.

“Tucanaram o plágio”, diria José Simão.

Juan Pedro Gebran Nieto

Já Thompson Flores, presidente de turno da oitava turma, em junho deste ano rendeu e foi rendido nos intestinos do TRF-4 por Victor Laus: Thompson saiu da presidência do tribunal para a oitava turma e Laus saiu deste órgão julgador para a presidência do tribunal.

Em outubro, Victor Laus, na qualidade de presidente do TRF-4, disse que Lula não era bem-vindo, nem preso, em Curitiba: “está desvalorizando os imóveis”. Significa que Lula estava preso porque foi condenado em segunda instância com um voto de Victor “Lula desvaloriza imóveis” Laus.

Na Junta Militar, escusas, na Junta Judiciária do Rio Grande do Sul que assumiu o poder no sistema de Justiça, porém, não é Thompson Flores, nem Victor Laus, nem o antiquíssimo Paulsen, mas sim João Pedro Gebran Neto, da escola Juan Guaidó, o presidente autodeclarado do Poder Judiciário brasileiro.

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