Gilmar: ‘preciso meditar muito’ se teria barrado Lula na Casa Civil mesmo sabendo de manipulação

Gilmar: ‘preciso meditar muito’ se teria barrado Lula na Casa Civil mesmo sabendo de manipulação

Questionado por Dora Kramer, no Roda Viva desta segunda, se teria decidido diferente no episódio em que barrou a posse de Lula como ministro de Dilma, caso soubesse, à época, do que a Vaza Jato revelou sobre o episódio, Gilmar Mendes respondeu: “creio que não vou te satisfazer. Preciso meditar muito sobre isso”.

No dia 18 de março de 2016, Gilmar Mendes barrou a posse de Lula na Casa Civil de Dilma por concluir do áudio divulgado por Sergio Moro que se tratava de “desvio de finalidade”, ou seja, que Dilma estaria nomeando Lula ministro para garantir-lhe prerrogativa de foro.

Há um mês, Gilmar Mendes afirmou que não se arrependia da decisão, mesmo à luz da revelação da Vaza Jato de outras conversas entre Lula e Dilma naquele período mostrando que a nomeação visava, sim, a articulação política, finalidade da Casa Civil.

Um mês depois, nesta segunda, no Roda Viva, Gilmar Mendes já diz que “precisa meditar”. Talvez daqui a um mês apareça empunhando um chicote de penitência. Talvez não, porque no mesmo Roda Viva, referindo àquele episódio, disse ainda Gilmar: “Lamento muito este tipo de manipulação”.

O ministro Gilmar Mendes diz que foi manipulado por Sergio Moro, mas diz que precisa “meditar muito” sobre se impediria a posse de Lula na Casa Civil de Dilma mesmo tendo, na época, “uma visão mais completa do que estava se passando”, para usar as palavras do próprio mais novo herói de desprevenidos.

Não era caso de tiro e queda, mas Lula na Casa Civil poderia impedir a derrubada de Dilma, recompondo a base aliada do governo. Essa era a percepção naquela feita e é esta a percepção geral ainda hoje.

Gilmar Mendes, hoje, diz que precisa “meditar muito”. Na época, não pensou duas vezes para tomar uma decisão que, no limite, levou à presidência da República um certo seu amigo de 30 anos, com que costuma discutir “semipresidencialismo” – mas apenas “academicamente”, claro.

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