Foto: Marcos Corrêa/PR.

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Que haja líderes do governo representando os interesses do Poder Executivo dentro de cada casa legislativa, esforçando-se para barrar isso, atrasar aqui, esmerando-se em malabares casuísticos, isso é da política e da República. Que não exista algo parecido, pelo menos não formalmente, dentro do Poder Judiciário, isso é por motivos óbvios.

Mas até o crucifixo que adorna o laico plenário do STF sabe bem: Kassio Nunes Marques, primeiro indicado por Bolsonaro para a casa, talvez se torne, no futuro, ministro de um tribunal constitucional, porque por enquanto, em pouco mais de um mês no Supremo, atua como líder do governo Bolsonaro na mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro.

Senão, vejamos, e não vamos nos ater à mal chamada “pauta dos costumes”, onde Nunes Marques já votou, por exemplo, contra a injúria racial – tipo “negrinha nojenta, ignorante e atrevida” – ser considerada uma forma de racismo:

  • Em meados de novembro, Kassio Nunes Marques bloqueou no STF julgamento sobre Bolsonaro poder ou não poder bloquear internautas nas redes sociais.
  • Dez dias depois, Kassio Nunes travou o julgamento no Supremo sobre a “rachadinha”.
  • Já em dezembro, Nunes indeferiu um pedido de liminar feito por deputados distritais para a suspensão da privatização da Companhia Energética de Brasília (CEB), barrando mesmo que o caso chegasse a ser julgado colegiadamente. O governo Bolsonaro considera o leilão da CEB de suma importância, um fato “histórico”.
  • Também neste início de dezembro, Kassio Nunes votou muito curiosamente no julgamento sobre reeleição para as presidências da Câmara e do Senado; votou mais alinhado impossível com o interesse imediato do governo Bolsonaro na matéria, ou seja, pela não-reeleição de Rodrigo Maia e pela reeleição de David Alcolumbre.

Isso em um mês desde a sua posse, que aconteceu no dia 5 de novembro. O crucifixo sabe: Kassio Nunes Marques é líder do governo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Talvez se torne, no futuro, membro de um tribunal constitucional. Talvez no futuro o STF se torne um.

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