Jogadores do Flamengo comemoram gol do time sobre o Fortaleza, no dia 5 de setembro, pelo Brasileirão (Foto: Alexandre Vidal/CRF).

Por mais que referente ao “surto focalizado” de Covid-19 no Flamengo, a decisão do TRT-RJ de suspender a partida entre o time carioca e o Palmeiras que estava marcada para este domingo, 27, pelo Brasileirão, deveria, a rigor, valer para todo o campeonato.

Como se não bastassem, para que isso aconteça, mais de 140 mil motivos mortos, e subindo.

Em sua decisão, o juiz Filipe Olmo de Abreu Marcelino repisou uma noção básica de controle da pandemia de Covid-19 que, não obstante, vem sendo deslavadamente ignorada pelas autoridades e pelo “mundo do futebol”, de dirigentes a treinadores, passando por jogadores e detentores dos direitos de transmissão – dos jogos, não do vírus, que esse ninguém compra, ninguém vende; é só chegar e pegar.

“Em razão dos eventuais resultados falso-negativos e da possibilidade de haver infectados dentro do período de incubação, não há garantia de que os empregados saudáveis não terão contato com outros empregados que possam estar infectados”, lavrou o juiz do trabalho.

E continuou:

“Manter a partida implicaria risco demasiado para a saúde de jogadores das duas equipes, comissão técnica e demais empregados. Além disso, há risco de contaminação dos familiares, quando do retorno para casa”.

E assim sucessivamente, do jeitinho que o vírus gosta.

“A pandemia existe e não há espaço para negacionismos”, asseverou Filipe Marcelino. No Brasil, porém, negacionismo “é o que há”.

Atualização (27.set.2020, 17h30):

A minutos da hora marcada para a partida entre Flamengo e Palmeiras, o TST reverteu a decisão do TRT-RJ, e os times entraram em campo.

1 a 1, 1 pra 1

No último 16 de setembro o Goiás viajou para São Paulo para enfrentar o mesmo Palmeiras, pelo mesmo Brasileirão, sem 15 jogadores do seu elenco diagnosticados com a Covid-19. Aeroporto, avião, aeroporto outra vez, ônibus, hotel, vestiário, etc, etc, etc, e todo caminho de volta, e o retorno para casa, etc, etc, etc. A partida aconteceu e terminou empatada em 1 a 1.

Em 1 a 1 terminou também a partida realizada neste sábado, 26, entre Internacional e São Paulo em Porto Alegre, sempre pelo Brasileirão. O Inter teve os desfalques de Paolo Guerrero, William Pottker, João Peglow e Johnny, lesionados, e de Uendel e Rodrigo Dourado, que testaram positivo para o vírus Sars-CoV-2.

Um a 1, tipo um infectado transmite a doença para mais uma pessoa, que é a taxa de transmissão da Covid-19 atualmente no Brasil, descontrolada.

Após o jogo deste sábado, o técnico do Inter, Eduardo Coudet, disse assim:

“Pela manhã temos um companheiro sentado conosco à mesa. À tarde precisamos isolar ele porque testou positivo e ficará 15 dias fora. Isso acontece constantemente. Não é uma situação normal”.

Parecia que Coudet chamava a atenção para o cinismo insólito de tocar o campeonato na base do afastamento às vésperas, às vezes em dia de jogo, de jogadores, membros de comissão técnica ou funcionários administrativos com testes positivos que acabaram de sair da impressora, sem “garantia de que os empregados saudáveis não terão contato com outros empregados que possam estar infectados”.

Os jogadores precisam de ar… ‘para correr’

Só parecia. Coudet, na verdade, defendia-se das críticas pelos recentes maus resultados do Colorado e, lamentando que mais da metade do elenco do Inter já tenha desfalcado o time no Brasileirão por causa da Covid-19, saiu-se ainda com esta:

“Não podemos perder de vista que temos um vírus que afeta os pulmões e os jogadores precisam de ar para correr”.

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