Sargento tido como ‘paizão’ da PM morreu há um mês durante operação ‘Pancadão’ em Paraisópolis

Sargento tido como ‘paizão’ da PM morreu há um mês durante operação ‘Pancadão’ em Paraisópolis

Ronaldo Ruas Silva, 1º sargento da Polícia Militar do Estado São Paulo, morreu baleado no último 1º de novembro durante uma operação para impedir um baile funk em Paraisópolis, onde, exatamente um mês depois, na madrugada deste domingo, 1º de dezembro, nove pessoas morreram durante uma outra operação “Pancadão”, que é como a PM paulista costuma chamar operações para impedir ou dispersar bailes funk em todo o estado.

Foi amplamente noticiado, no início de novembro, que a arma do sargento, uma Taurus calibre 40, falhou na hora em que Ruas fazia uma perseguição nas ruas de Paraisópolis.

Ronaldo Ruas era da Força Tática do 16º BPM, a mesma unidade envolvida no massacre deste domingo em Paraisópolis. São vários os relatos sobre uma escalada da violência policial na favela após a morte do sargento Ruas, que tinha 52 anos, 31 deles de serviço na PM, e que participou, como instrutor, da formação de centenas de novos policiais. Ele era muito conhecido e aparentemente muito querido por toda a tropa.

No dia seguinte ao da morte do policial, 2 de novembro, o comando da PM de São Paulo mandou fazer uma megaoperação em Paraisópolis, com o Policiamento de Choque, o Grupo de Ações Táticas Especiais, Comando de Aviação, a Rota e até a cavalaria.

Naquele dia, a Folha noticiou a morte de Ruas e o início da megaoperação em Paraisópolis, que o jornal classificou como a “segunda maior comunidade de baixa renda localizada na Zona Sul da capital paulista”.

Também naquele dia, o programa Cidade Alerta, da Record, mostrou imagens da megaoperação em Paraisópolis dividindo a tela com uma foto do sargento morto, enquanto o apresentador Bruno Peruka fazia uma entrevista ao vivo, por telefone, com o comandante da PM de São Paulo, coronel Marcelo Vieira Salles.

Salles lamentou a morte do sargento Ruas, com quem serviu no 16º BPM e a quem classificou como “paizão da tropa” da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e explicou que o objetivo da “megaoperação” era prender “marginais que insistem em resistir à prisão, em atirar contra policiais, em traficar em bailes funk, que por vezes viram verdadeiros palcos de uso de entorpecentes”.

‘Saturando mesmo’

Naquela feita, o coronel falou também sobre as operações “Pancadão”:

“Há 20 dias estamos com operações ‘Pancadão’ no estado inteiro, na Baixada Santista, em Bauru, no interior todo, São José dos Campos, Zona Leste, Zona Sul, Zona Oeste, Zona Norte, Centro, região metropolitana”.

“Essa do Paraisópolis é uma resposta do Estado para que a gente busque esses integrantes de facção, procurados da justiça, traficantes, saturando mesmo. E não tem dia ou hora pra acabar: um mês, depois meses, três meses, quanto precisar”, disse também o coronel Salles.

A “megaoperação” do dia 2 de novembro em Paraisópolis aconteceu concomitantemente ao velório do sargento Ruas em Embu das Artes. O Cidade Alerta entrou ao vivo de lá também. Em seguida, disse assim o apresentador Bruno Peruka:

“Volto a repetir: eu não tenho que ficar com mimimi, com conversa fiada não. Sou defensor da Polícia Militar, sou defensor da Polícia Civil, Federal, de qualquer policial. A gente tem que defender sim! Dão a vida para salvar a vida de quem é do bem. Quem não gosta de policial é bandido. Cidadão de bem gosta de policial”.

No dia seguinte, no enterro de Ronaldo Ruas, o irmão e o sobrinho do sargento, que também são policiais, falaram com a imprensa. O sobrinho, Mike Ruas, um jovem de 22 anos, exprimia revolta a plenos pulmões. O irmão, Luciano Ruas, parecia dominar melhor a raiva e a dor. Ele disse que Ronaldo “tombou no combate, na guerra”. Tanto Luciano quanto Mike fizeram críticas à qualidade da arma que o sargento tinha em mãos quando foi baleado, a arma que falhou.

Datena: ‘não acaba nunca, esse negócio de baile funk’

O programa Brasil Urgente, da Band e comandado por José Luiz Datena, que é pré-candidato à prefeitura de São Paulo, exibiu no dia 4 de novembro uma extensa reportagem sobre a morte de Ronaldo Ruas. Disse Datena:

“Além de pagar mal, a arma da polícia não funciona? A arma falha e policial acaba morto em São Paulo. Sargento Ruas perdeu a vida durante uma operação contra bailes funks em Paraisópolis. Não acaba nunca, esse negócio de baile funk. Dizem que é manifestação cultural. Que isso… show de droga, escoamento de droga para o crime organizado, álcool pra criança, bebida, arma na mão. Isso é uma bandidagem!”

E completou:

“A maior prova disso é que o coitado do sargento Ruas morre com a arma na mão sem funcionar”.

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