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Jair Bolsonaro, que apesar de tudo e mais um pouco segue com a caneta na mão, indicou o tenente-coronel do Exército Jorge Luiz Kormann para diretor da Anvisa “na vaga decorrente do término do mandato de Alessandra Bastos Soares em 19 de dezembro de 2020”, conforme consta em despacho presidencial publicado nesta quinta-feira, 12, no Diário Oficial da União.

Alessandra Bastos Soares é diretora de Coordenação e Articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (DSNVS), que trata da liberação de vacinas. Foi ela quem apareceu nesta semana ao lado do contra-almirante Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, na entrevista coletiva sobre a suspensão dos testes da Coronavac.

O futuro substituto de Alessandra, Jorge Luiz Kormann, foi signatário do famigerado manifesto “Eles que venham. Por aqui não passarão”, peça de desestabilização do governo Dilma Rousseff datada de 2012 e assinada por centenas de milicos insatisfeitos com a instalação da Comissão Nacional da Verdade.

Em maio, o servidor Francisco Bernd, que era diretor de programa do Ministério da Saúde e fora exonerado por Nelson Teich, disse à coluna de Monica Bergamo, na Folha, que havia uma “intervenção fardada” no ministério e que nunca tinha visto “pessoas tão estranhas à Saúde na pasta”. O substituto de Francisco Bernd, na época? Ele, Jorge Luiz Kormann.

No meio da maior crise sanitária em 100 anos, em meio ao acirramento da politização das potenciais vacinas contra a covid-19, Bolsonaro quer botar para liberar ou deixar de liberar vacinas – Kormann precisa ser aprovado pelo Senado – um milico que se anima com manifestos golpistas, que não gosta da verdade e que já vai, portanto, para sua segunda colaboração com a “intervenção fardada” na saúde pública brasileira.

É a boiada genocida passando à nossa frente, com direito a nomeação de um encobridor de crimes contra a humanidade do passado, e é como diz o poeta Eucanaã Ferraz em um livro para as crianças:

“Lá em cima daquela serra, passa boi, passa boiada. Lá em cima daquela serra, tem gente que não faz nada”.

Exemplo: o ministro do STF Marco Aurélio Mello, crianças, disse recentemente, sobre Bolsonaro, que “o passado dele, o que ele disse na tribuna da Câmara [sobre ditadura, tortura], não se confunde com a atuação como chefe do Executivo”, e que “é preciso deixar o presidente trabalhar”.

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