Ministério Público mentiu sobre perícia ter refutado porteiro

Ministério Público mentiu sobre perícia ter refutado porteiro
As promotoras de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Letícia Emili Alqueres Petriz, Simone Sibílio e Carmen Eliza Bastos de Carvalho dão informações sobre a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Ao contrário do que vem sendo amplamente divulgado, a perícia realizada tardiamente, só após a reportagem do Jornal Nacional, nos registros de áudio da portaria do Vivendas da Barra não desmente conclusivamente o porteiro que afirma ter sido Jair Bolsonaro quem liberou a entrada de Élcio de Queiroz no condomínio.

Isso porque a perícia feita pelo Ministério Público nos arquivos de áudio da portaria do Vivendas da Barra avaliou apenas se houve adulteração deste ou daquele arquivo. A perícia não se debruçou sobre a possibilidade de algum registro de áudio da portaria ter sido deletado antes de ser entregue à Polícia Civil, o que é o próprio xis da questão.

O MP, portanto, e não porteiro, foi quem até aqui mentiu flagrantemente e comprovadamente, em entrevista coletiva institucional sobre o caso dada na tarde desta quarta, 30, no Rio de Janeiro. Mentiram, ou talvez se confundiram, as promotoras de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio ao dizerem enfaticamente que a perícia realizada nos arquivos resultou em prova técnica de que a versão do porteiro não corresponde à realidade.

Carmen Eliza Bastos de Carvalho, que é promotora do caso Marielle Franco no MP do RJ e participou da coletiva desta quarta, com camisa de Bolsonaro durante a campanha de 2018.

Essas provas conclusivas simplesmente não existem. O porteiro afirma ter falado com Bolsonaro às 17h10, para autorizar a entrada de Élcio. Afirma ter falado com Bolsonaro de novo logo em seguida, quando percebeu, por câmeras, que o carro de Élcio tinha se dirigido na verdade para a casa de Ronnie Lessa. O áudio divulgado por Carlos Bolsonaro em que o porteiro anuncia Élcio agora a Ronnie Lessa é de três minutos depois, às 17h13. Três minutos é um tempo razoável para passar entre uma entrada confusa de um visitante em um condomínio até o anúncio do nome visitante ao dono da casa que seria de fato visitada.

Nos Documentos do Windows, não se pode mudar data e hora dos arquivos. É não só possível, mas fácil, porém, selecionar um arquivo qualquer, até dois juntos, com o botão direito do mouse e apertar delete no teclado – talvez em dois “podcasts” inconvenientes arquivados no Windows Explorer do Vivendas da Barra, entre o das 16h58 e o das 17h13. Depois, esvazia-se a lixeira, ou coisa mais drástica, como formatar a máquina. Há maneiras, porém, até caseiras, de rastrear arquivos apagados. Que isso sequer tenha sido tentado por uma perícia dada por encerrada é tão surpreendente quanto indicativo.

Escravos de Jair

Se não foi feita perícia neste sentido, e se, como adianta o portal GGN, as ligações da portaria do condomínio, na época, caíam mesmo direto no celular do então deputado Jair Bolsonaro (talvez por ser um esposo muito zeloso, controlando a casa do Rio desde Brasília), não há um motivo sequer, até agora, para desqualificar ou pôr sob a mais ferrenha dúvida o depoimento do porteiro e o registro no livro de visitas do Vivendas da Barra, que mostra um Élcio Vieira entrando no condomínio com autorização da casa 58 e dirigindo num Renault Logan placa AGH-8202 (Mas talvez o porteiro tenha confundido o número da casa, pois sim, num momento de distração, por mais que tenha anotado certinho o número da placa…).

A mídia corporativa, porém, Rede Globo incluída e puxando o recuo, apenas grava e repassa a versão mentirosa apresentada em entrevista coletiva pelo Ministério Público, para variar um pouco, como num jogo de escravos de Jó. No Vivendas da Barra como no condomínio golpista, guerreiros com guerreiros, fazem zigue-zigue-zá.

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