Moro sairá de férias. Há exatamente um ano, de férias, Moro despachou contra Lula

Moro sairá de férias. Há exatamente um ano, de férias, Moro despachou contra Lula
Fonte: Blog do Simão

Há exatamente um ano, no dia 8 de julho de 2018, Sergio Moro, então juiz da Lava Jato, mas então de férias, emitiu um despacho, talvez de dentro de algum ofurô, dizendo que o desembargador Rogério Favreto não tinha competência para mandar soltar Lula, negando-se a cumprir essa determinação de instância superior, dada por Favreto, do TRF-4, horas antes de Moro lembrar a todos que, se o amor não tira férias, o ódio tampouco.

O despacho era dirigido ao relator do processo do Triplex no TRF-4, João Pedro Gebran Neto. Pouco depois, no mesmo dia, Gebran cancelou a liminar de Favreto, mantendo preso o candidato que, naquela altura ainda não impedido pelo TSE de concorrer nas eleições, liderava as pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto.

Na audiência em que compareceu na Câmara, semana passada, para falar sobre o vazamento de mensagens que trocou com Deltan Dallagnol, chefe dos procuradores da Lava Jato, Moro foi questionado se usou o Telegram naquele 8 de julho para tratar com alguém da liminar de Favreto.

Não respondeu.

Questão pessoal, segurança nacional

Nesta segunda-feira, 8 de julho àquele subsequente, o Diário Oficial da União publica autorização presidencial para o agora ministro Moro tirar quatro de dias de férias, para tratar de questões pessoais. Como suas “questões pessoais” têm se mostrado riscos à segurança nacional, o passaporte de Sergio Moro não deveria estar com Sergio Moro.

Quando da primeira vez que Lula se sentou à frente de Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, no dia 10 de maio de 2017, o “Russo” das planilhas do MPF garantiu ao ex-presidente que com ele não tinha qualquer “desavença pessoal”.

Foi das raras ocasiões em que Moro não seguiu à risca um certo Vade Mecum. Em seu “Manual dos Inquisidores”, compêndio de admoestações persecutórias escrito no ano de 1376 de Nosso Senhor, Nicolau Eymerich aconselha o Santo Ofício a enviar emissários junto ao réu a fim de tentar convencê-lo de que “o inquisidor é um homem honesto”. 

Sabia, o dominicano, que não poderia fazê-lo o próprio juiz do tribunal da Inquisição, por motivos óbvios, tendo ele mesmo construído fama de encarniçado quando Inquisidor Geral de Aragão. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também:

Thiago Silva, certeiro, sobre Bolsonaro: 'ele é fanático, como eu e você'

Thiago Silva, certeiro, sobre Bolsonaro: 'ele é fanático, como eu e você'