Mateus 26, 34: ‘Antes que duas vezes cante o galo, três vezes o marreco negará’

Mateus 26, 34: ‘Antes que duas vezes cante o galo, três vezes o marreco negará’
Foto: Lula Marques.

Noventa e um indeferimentos a prisões cautelares requisitadas pelo Ministério Público Federal à 13ª Vara Federal de Curitiba. Com esse número, e com o cenho franzido, Sergio Moro negou mais uma vez, no último 19 de junho, em audiência no Senado, que tenha sido conspiração a operação Lava Jato.

“Isso também demonstra que não existe convergência entre MPF e juízo necessariamente”, disse Moro naquela ocasião.

Nos Telegram Papers vazados dias antes pelo Intercept Brasil, consta a seguinte mensagem de Deltan Dallagnol a Moro, datada de 10 de maio de 2017: “Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia”.

Moro responde: “Blz”.

Se o MPF pedia oitivas ao juízo acertando previamente com o juiz, nos bastidores, seus respectivos indeferimentos, quantas das 91 prisões preventivas ou temporárias negadas por Moro à equipe de Dallagnol foram pedidas por “estratégia” também?

‘Intime-se por telefone’ = chat secreto

Nesta sexta-feira, 6, a fim de contraditar a reportagem da revista Veja que traz material novo, e novamente escandaloso, sobre as articulações por trás do palco entre acusação e juízo da Lava Jato, O Antagonista publica despachos do então juiz Moro com ordens de intimação por telefone ao MPF para que o MPF se manifestasse sobre petições das defesas da Odebrecht e de José Carlos Bumlai.

Que Moro tenha contactado Dallagnol antes dos despachos para adiantar o chefe da acusação sobre o que estava para vir nos autos, isso parece não importar para o site que é conhecido pelos apelidos “O Bolsonarista” e “O Lavajatista”.

Isso parece não importar para o próprio Moro, que repercutiu o texto de O Antagonista no Twitter, acrescentando de próprio punho o comentário de que o texto seria “constrangedor” para a Veja, a quem o ministro lança o desafio: “será que tem resposta para isso ou vai insistir na fantasia?”.

É, de fato, constrangedor que despachos onde se lê a ordem “intime-se o MPF, por telefone” sejam apresentados como apuração jornalística mostrando que sempre estiveram lá, nos autos, os contatos recorrentes feitos em chats secretos de aplicativo de celular entre Moro e Dallagnol em pleno curso da Lava Jato, para definir “estratégias”.

Aha, uhu

Em nota à imprensa emitida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre a reportagem da Veja, lê-se que “acusa a Veja o ministro, então juiz, de ter obstaculizado acordo de colaboração do MPF com o ex-deputado Eduardo Cunha. O ocorre que eventual colaboração de Eduardo Cunha, por envolver supostos pagamentos a autoridades de foro privilegiado, jamais tramitou na 13ª Vara de Curitiba ou esteve sob a responsabilidade do ministro, então juiz”.

Nos Telegram Papers, lê-se que:

Parafraseando o Evangelho Segundo Mateus, capítulo 26 – que trata, ora veja, da conspiração contra o Cristo -, versículo 34:

“Antes que duas vezes cante o galo, três vezes o marreco negará”.

Os cenhos franzidos do fascimo, eles não são para incautos. Foi precisamente em sua “Introdução ao fascismo” que o filósofo brasileiro Leandro Konder observou que “as verdades passaram a morrer, sistematicamente, pregadas na cruz da utilidade circunstancial que o cinismo dos fascistas encontra para elas”.

Em conhecido discurso, disse certa vez o duce Benito Mussolini: “se a verdade está quebrada, envelhecida, está ultrapassada, não nos apegamos a essa verdade como ostras na rocha, mas a descartamos, porque está se tornando um obstáculo ao nosso caminho e ao nosso progresso”.

Obstáculo ao fascismo?

“In Fachin we trust” e, “aha, uhu, o Fux é nosso!”.

Ou seria o contrário?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também:

O conluio e o decano: 'in Celso we trust'

O conluio e o decano: 'in Celso we trust'