O Ministério Público do Rio de Janeiro, que apoia a censura, que mente em entrevistas coletivas, quer saber a opinião da população do estado sobre o “grau de importância” dos direitos humanos entre os “principais desafios” a serem enfrentados pela instituição nos próximos anos, no âmbito do processo de “revisão do Mapa Estratégico 2020-2027 do parquet fluminense”.

Esta intrigante consulta foi aberta via um questionário externo elaborado pela Subprocuradoria-Geral de Planejamento Institucional (SUBPLAN) do MP do Rio. Diz o terceiro item do questionário:

“Em grau de importância, quais assuntos relacionados ao tema CRIMINAL o Ministério Público deve priorizar nos próximos anos? (Escala de 1 a 5 variando de ‘Menor Relevância’ a ‘Maior Relevância’)”.

Entre as 13 opções de resposta estão pareados “crimes cibernéticos” e “garantia da dignidade das pessoas presas ou custodiadas”, passando por “fixação artificial de preço”.

No item 4 do questionário externo sobre quais devem ser suas prioridades de atuação daqui até 2027, especulando com “assuntos relacionados ao tema DIREITOS HUMANOS”, o MPRJ pede para o cidadão fluminense marcar de 1 a 5, dependendo do “grau de importância”, quando o assunto é o combate à “violência policial e tortura”.

Como se fosse uma pesquisa sobre se é mais ou menos importante ter timer em cafeteira elétrica; se tem que ter ou se não precisa de função repelente em ventilador de piso; se é fundamental ou se é “direito dos manos” ter bússola e termômetro em relógio digital.

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro matou 1.686 pessoas em 2019, sem contar os números de dezembro, que ainda não terminaram de contar os corpos.

‘Prepare-se para levar sua família à (sic) local seguro’

A população com a qual o MPRJ quer negociar os direitos humanos mais fundamentais – via questionário com jeitão de pesquisa ao consumidor – é aquela que em 2018 elegeu Wilson “mirar na cabecinha e fogo” Witzel para governador, Flavio Bolsonaro senador e Helio Bolsonaro e Rodrigo Amorim os deputados federal e estadual mais bem votados no estado, respectivamente.

No estado do Rio, Jair “direitos humanos prestam um desserviço ao Brasil” Bolsonaro teve 60% dos votos válidos no primeiro turno da eleição presidencial, e 68% no segundo turno.

Neste estado – do Rio, das coisas – o MPRJ faz pesquisa sobre o “grau de importância” dos direitos humanos com a mesma naturalidade com que, sem ter mais o que fazer pela civilização, faz alertas sobre chuva e vento forte: “fique atento a qualquer mudança no tempo e prepare-se para levar sua família à (sic) local seguro”.