Não há no STF um só ministro digno de integrar um tribunal constitucional

Não há no STF um só ministro digno de integrar um tribunal constitucional

Este Come Ananás chamou atenção na semana passada para que havia outro golpe a caminho: na quinta, assim que se formou maioria no Supremo pelo entendimento de que o corréu dedurado tem o direito de se pronunciar nas alegações finais depois do corréu dedo-duro, ato contínuo o presidente de turno do Supremo, Dias Toffoli, suspendeu a sessão e anunciou que na próxima viria com uma proposta de modulação da decisão que tinha acabado de se tornar irreversível, com o claro objetivo de que ela não alcançasse o grosso das sentenças da Lava Jato.

Quem dá um um golpe, dá mil. Só na tarde desta terça-feira, 2 de outubro, Dias Toffoli tentou dar dois. Em um, foi bem sucedido. O outro, por ora, não foi necessário.

O primeiro foi aquela proposição, consumada, de que se estabeleça uma modulação para que a decisão do plenário sobre a ordem das alegações finais não vá “enfermar” a Lava Jato. O outro foi chamar modulação de “tese”, nunca de modulação. Motivo: para aprovar uma modulação no plenário do Supremo são necessários oito votos. No fim das contas, Toffoli conseguiu seu oito a três, ainda que não se saiba exatamente que “tese”, que modulação será essa.

Alguém, num surto idealista, poderia propor que um, pelo menos um ministro do Supremo a quem restasse uma gotícula de dignidade renunciasse ao cargo, dado o grau de degradação do STF e expondo numa atitude drástica as podres vísceras desta “egrégia corte”. Mas… quem poderia da um passo à frente?

Dias Toffoli, que falseia fundamentos jurídicos da cadeira da presidência do Supremo, em rede nacional?

Celso de Mello, que votou decisivamente na segunda turma para que Lula seguisse preso depois de “fatos novos”, as revelações da Vaza Jato, o que lhe valeu menção honrosa do site O Antagonista de “In Celso we trust”?

Marco Aurélio Mello, que adia apreciação de Ação Direta de Constitucionalidade com importância de primeira ordem porque o impetrante da ação arrependeu-se sob a justificativa de que “somos um partido de direita” e ação poderia resultar em Lula livre?

Gilmar Mendes, que nesta quarta atirou às fuças de Edson e Luiz as expressões “Aha! Uhu! O Fachin é nosso” e “In Fux we trust”, mas que votou duas vezes a favor da prisão após condenação em segunda instância – uma clara violação constitucional?

Ricardo Lewandowski, que presidiu as últimas sessões de um golpe parlamentar contra uma presidente constitucional, chancelando-o?

Carmen Lúcia, com seus seus votos de Minerva, quando presidiu o Supremo, inegociavelmente a favor não da Constituição da República, mas da República de Curitiba?

Luis “In Fux we trust”?

Rosa Weber, que a mando de um general deu voto decisivo para o STF negar um Habeas Corpus – a Lula?

Luis Roberto “89% Barroso”, com todo o seu corolário de interpretar a Constituição “em sintonia com o sentimento social” – leia-se: em sintonia com o lavajatismo?

Edson “Aha! Uhu! o Fachin é nosso”?

Alexandre de Moraes, nomeado para o Supremo por um presidente usurpador do cargo?

Não há no STF um só ministro digno de integrar um tribunal constitucional. Nem unzinho sequer.

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