Imagem: marinetraffic.com

“Temos um suspeito!”, talvez tenha gritado o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, talvez o general Augusto Heleno, talvez o general Mourão, que é dado aos berros.

Uma análise feita pela Universidade Federal do Sergipe (UFS) do petróleo que não para de chegar à costa do Nordeste concluiu que o óleo é o mesmo encontrado em barris que também foram dar em praias nordestinas nas últimas semanas. Nesses barris, pode-se ver escrito à mão o nome “Ekata”, que, conforme notou Diogo Shelp neste sábado, 12, no UOL, é o nome de um petroleiro cuja última posição conhecida, segundo os registros do sistema de rastreamento de embarcações Marine Traffic, data de 2017, perto do porto de Chittagong, em Bangladesh. Depois disso, seu status pelo rastreamento via satélite é “descomissionado (desativado) ou perdido”.

Mas essa não é a notícia mais recente sobre o Ekata, ou Ekta, como esta palavra de origem hindu também é grafada e como aparece, ou aparecia, no casco do navio.

A notícia mais recente é que entre março e abril de 2018 dois trabalhadores de Bangladesh morreram enquanto trabalhavam neste petroleiro em um estaleiro localizado precisamente em Chittagong, local de desmanche de navios conhecido, muito mal conhecido por passar longe de seguir quaisquer padrões internacionais de segurança, dos trabalhistas aos ambientais.

Antes desse registro, porém, há um outro: em setembro de 2017, poucos meses antes de dois trabalhadores bengalis morrerem no que seria o desmanche do navio Ekta, a empresa suíça Navimar comprou o navio – um navio que se encaminhava para suposto desmanche – da empresa grega Maran Tankers.

Antes de ser batizado de Ekta, o “suspeito”, este petroleiro construído em 1995 na Coréia do Sul e com bandeira de Palau, navegava sob a inscrição “Maran Centaurus”. Antes disso, já havia se chamado “Astro Centaurus” e “Mindoro”, e não necessariamente mudou tantas vezes de nome porque mudou de proprietário. Na verdade, o navio só mudou de nome quando estava nas mãos de uma mesma “registered owner”:

Fonte: vesselfinder.com

Para driblar sanções internacionais, proprietários de navios-tanques estão mudando o nome dos navios a toda hora, além de deixá-los invisíveis para os sistemas de monitoramento via satélite, com as empresas simplesmente desligando os transponders.

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Entre os serviços oferecidos pela Navimar – sediada na Suíça, que mar não tem – estão “representação e administração de empresas de transporte, bem como registro de navios nas várias administrações internacionais de bandeira, mudança de bandeira e exclusão” e “plano de negócios detalhado para compra ou construção de embarcações”.

Come Ananás entrou em contato com a Navimar para saber qual foi o real destino do petroleiro Ekta, se foi “descomissionado”, se foi reciclado, mas até agora não obteve resposta.

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