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A última ceia, caro leitor, não tem lá seus dois mil anos. Ela aconteceu no dia 30 de outubro de 1997, dia em que Augusto Pinochet, que ainda comandava as FFAA do Chile, sete anos após o fim da ditadura, reuniu-se com a cúpula militar do país para definir seu sucessor, já que o general estava prestes a se tornar senador vitalício da República.

Deixar a chefa do Estado mas perdurar no comando das FFAA; escolher o próprio sucessor naquele encontro de 1997 que ficou conhecido como “a última ceia”; tornar-se senador vitalício. Tudo isso Pinochet mandou consignar na Constituição por ele encomendada a um punhado de cúmplices de crimes contra a humanidade pinçados do campo da jurisprudência.

Mas a Constituição pinochetista de 1980, antes de ser tão literal e escancaradamente pinochetista, foi a primeira Constituição literal e escancaradamente neoliberal da História, com direito, ou melhor, sem direito a saúde, educação e previdência, tratadas no texto como pratos cheios para a iniciativa privada.

A Constituição neoliberal pinochetista, necessariamente nesta ordem, ainda está em vigor no Chile, mas está com os dias contados, porque neste domingo, 25, o povo chileno referendou o despacho da carta pinochetista para o quinto dos infernos.

Ecoam, agora, no Chile às portas de uma assembleia popular constituinte, as palavras ditas por Salvador Allende em um “informe al pueblo” no dia 16 de junho de 1971, sobre a Constituição que ele um dia almejou para substituir a de 1925, mas que nunca logrou promulgar. Uma outra Constituição…

… “para reemplazar la que tiene características de una sociedad liberal, por otra que contuviera em su contenido social los anhelos del pueblo, su voluntad y los derechos que éste tiene para organizar una nueva existencia”.

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