Faz pouco mais de um ano.

No dia 30 de setembro de 2019, o militante bolsonarista Gilberto Alves Junior percebeu que o deputado José Guimarães, do PT, estava no mesmo voo que ele tinha pegado de Fortaleza para Brasília. Gilberto se levantou de onde estava sentado, pediu licença a Guimarães, sentou-se ao lado do deputado e começou a filmar, tagarelar, mentir e provocar:

“Aqui ó, é o Zé Guimarães, do PT, foi pego com dinheiro na cueca, roubou o Brasil inteiro, mandou dinheiro pra Cuba, pra Venezuela, apareceu na televisão com dinheiro na cueca, roubou trilhões, sentou aqui ó, do meu lado, o capitão cueca…”.

Foram mais de dois minutos de toda sorte de insultos dirigidos por Gilberto Alves Junior a um José Guimarães a centímetros e impassível. “Capitão cueca!”, não parava de repetir o bolsonarista, gerente de um hotel em Brasília, que em seguida divulgou o vídeo em grupos de Whatsapp.

Contextualizando: Em 2005, não José Guimarães, mas um assessor do deputado foi flagrado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com 200 mil dólares na mala e mais 100 mil dólares na cueca. Mais tarde, o STJ livrou Guimarães da acusação de responsabilidade sobre aqueles dólares enfiados onde estavam, porque, sabão cru-cru, de materialidade contra ele não havia um só cabelo do saco ou do cu.

Voltando àquele voo de 2005, o avião pousou em Brasília às 21:10h. Poucos minutos depois, Gilberto Alves estava se debulhando em lágrimas e em pedidos de desculpas a José Guimarães na sala da Polícia Federal do Aeroporto de Brasília. Não adiantou, e o processo de José Nobre Guimarães contra Gilberto Alves Junior corre no TRF-1 de Kassio Nunes Marques, porque esse mundo, além de dar cambalhotas, é mesmo pequeno.

Sobre as cambalhotas que o mundo dá: dois dias depois daquele voo Fortaleza-Brasília, quando já corria a notícia do chororô do valentão na sala da PF e do processo que seria movido por José Guimarães, o empresário “patriota” Luciano Hang, da Havan, apareceu em um vídeo vestido com sua roupa de super-herói verde-amarelo e notas penduradas no superpano de bunda que, à moda de Kripton, super-heróis vestem sobre a calça.

“Capitão Cuecaaaaaa”, berrava Luciano Hang, no vídeo, para em seguida anunciar que iria bancar a defesa Gilberto Alves Junior contra José Guimarães.

Há poucos dias as lojas Havan começaram a vender um boneco de Hang vestido com a mesma super-roupa, com o mesmo superpano de bunda. Trata-se do “Capitão Brasil”.

O mais curioso é que, no vídeo, Hang exibe a impressão de uma matéria publicada no site da Veja em 2015 e intitulada “Novo líder do governo tem escândalo dos ‘dólares na cueca’ no currículo” e, no subtítulo: “Assessor José Guimarães foi flagrado em 2005 com dinheiro escondido”.

“O assessor José Guimarães”.

A diferença entre a falta de um “de”, até hoje não corrigida, e o nobre Gilberto Alves Junior dizendo que Guimarães “apareceu na televisão com dinheiro na cueca”, qual é?

De resto, dinheiro na cueca, esse negócio de capitão e, agora, de fato, o líder do governo, figura do Centrão, cheio de dinheiro bem no centro de seu…

Haja cambalhotas.

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