Foto: Isac Nóbrega/PR.

Em Editorial intitulado “Bolsonaro minimiza epidemia e põe Brasil em risco”, publicado nesta quarta-feira, 25, o jornal O Globo diz que “Bolsonaro faz a escolha errada e ameaça os brasileiros”, referindo-se particularmente ao pronunciamento feito pelo presidente da República nesta terça, 24, em cadeia nacional, no qual Bolsonaro, na contramão dos esforços para frear a disseminação do coronavírus, ensandecido, pediu que o país “volte à normalidade”.

“Espera-se que tenha ouvido o barulho dos panelaços, replay dos ocorridos em 2016 na fase de agravamento da crise cujo desfecho foi a aprovação do impeachment de Dilma pelo Congresso. Inclusive o de ontem à noite, enquanto, em rede nacional, voltava a defender a delirante tese de que a Covid-19 só é perigosa para idosos, sendo inofensiva para o resto da população”, diz o editorial.

Por mais que abaixo do tom necessário diante, afinal, “do Brasil em risco” – o tom necessário é pedir a renúncia de Bolsonaro ou a ação dos outros poderes para apeá-lo do poder -, O Globo foi o único dos três grandes jornais brasileiros que publicou editorial nesta quarta, dia seguinte ao pronunciamento, mencionando claramente a ameaça real e imediata que o presidente da República representa para o país em meio à pandemia de coronavírus. O jornal O Estado de S.Paulo chegou a dizer, também em editorial, que o “Judiciário não mostrou a mesma agilidade e eficiência dos demais Poderes na emergência”.

Por muito, muito menos que o chefe de Estado azeitar deliberada e enlouquecidamente uma catástrofe, A Folha de S.Paulo, há quase quatro anos, no dia 2 de abril de 2016, pediu, em editorial, a renúncia de Dilma Rousseff. Há exatamente quatro anos, por volta do dia 25 de março de 2016, a distinta revista britânica The Economist fez o mesmo, pedindo a saída de Dilma “pelo bem do Brasil”, por tentar nomear Lula para a Casa Civil.

Nesta terça, o Jornal Nacional exibiu partes do pronunciamento de Bolsonaro e depois emendou: “o ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre o que disse o presidente”, e bola pra frente. No fim de setembro de 2018, reta final da campanha eleitoral, quando Bolsonaro mencionou o apoio de Roberto Marinho ao golpe civil-militar de 1964, quando Bolsonaro falou o nome de Dr. Roberto em vão, os apresentadores leram na hora, a jato, que “o Grupo Globo emitiu a seguinte nota a respeito” e blá blá blá.

Mas agora é só um vírus que pode matar um milhão de brasileiros. Então, tudo pode esperar…