Pouco depois de Donald Trump, anunciado com covid-19, embarcar num helicóptero rumo a um hospital, por “precaução”, o jornal The Washington Post publicou, nesta sexta-feira, 2, a oportuna lembrança de que em 1918, num momento político crítico também, a Casa Branca virou um foco da gripe espanhola e o presidente Woodrow Wilson, por mais que delirasse e botasse os pulmões para fora, oficialmente sofria apenas com o mau tempo em Paris.

Com a palavra o repórter Michael S. Rosenwald:

“Em 1918, o secretário pessoal de Wilson foi um dos primeiros em sua administração a ficar doente. Margaret, sua filha mais velha, pegou. Membros do serviço secreto, também. Nem as ovelhas da Casa Branca foram poupadas”.

“Outro que não foi poupado: o presidente dos Estados Unidos”.

“Em abril de 1919, Wilson viajou para a Conferência de Paz de Paris para conversas sobre o fim da Grande Guerra. Logo após sua chegada, o presidente adoeceu com febre e ataques violentos de tosse que o deixaram quase sem conseguir respirar”.

“A condição de Wilson piorou tão rapidamente que seu médico pessoal, Cary T. Grayson, pensou que ele tinha sido envenenado”.

Não tinha sido envenenado. Era a gripe. Segue o Post:

“Wilson estava tão doente que as negociações quase descarrilaram. O presidente não conseguia nem sentar na cama”.

“Em uma carta entregue em mãos ao chefe de gabinete de Wilson em Washington, Grayson escreveu que a noite em que Wilson ficou doente ‘foi uma das piores por que já passei. Consegui controlar os espasmos da tosse, mas seu estado parecia muito grave'”.

“A administração de Wilson trabalhou diligentemente para manter o diagnóstico em segredo. Grayson disse a repórteres que Wilson estava resfriado e precisava apenas descansar, culpando, pelo estado do presidente, o tempo chuvoso em Paris”.

Um século depois, segundo a administração do próprio Liar in Chief, o presidente dos EUA está com covid-19 e, estando com covid-9, passa bem, à base de aspirinas e antiácidos.

Leia aqui, em inglês, a íntegra do artigo do Washington Post.

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