Alô, ministro Paulo “Empregada na Disneylândia? Pera aí!” Guedes, sabe quem ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação em 1943? O Pato Donald! Ou melhor, o desenho da Disney “Der Führer’s Face” (A Face do Führer), no qual Donald tem um pesadelo em que ele se vê trabalhando feito um condenado em uma fábrica da Alemanha nazista, ao som de uma bandinha militar que toca e canta assim:

When the führer says
We never will be slaves
We Heil!
We Heil!
But still we work like slaves

Lá pelas tantas, os alto-falantes da fábrica anunciam: “atenção trabalhadores! Por bondade do Führer, agora começam as férias!”. De repente, atrás de Donald, desenrola-se um enorme painel com uma paisagem de lago, cachoeira e montanhas. Ressoa nos alto-falantes: “ah, os belos Alpes, os pássaros, um lindo cenário… Não se esqueça de fortalecer o corpo para o Führer. Um, dois, três, Heil! Um, dois, três, Heil!”.

O desenho animado antinazi “Der Führer’s Face” é uma paródia de uma entidade da Alemanha Nazista chamada Kraft durch Freude (KdF). O nome significa algo como “Força Através da Alegria”, e o objetivo da KdF era organizar o tempo livre dos trabalhadores alemães, incentivando viagens de férias de preferência para destinos nacionais, a fim de avivar o sentimento pátrio e fortalecer a “comunidade nacional-socialista”.

Poster da KdF: “em seu lindo país”.

Uma caminhada em Rothenburg

Se Adorno e Horkheimer já notavam, tudo bem, que “a diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio”, notem que o “Novo Brasil” é um prolongamento velhaco da Alemanha Nazista. Entre outras e diárias razões, tanto porque quer empregados domésticos, qualquer empregado, work like slaves, quanto porque, agora, já se afirma que lugar de trabalhador brasileiro passear é em Cachoeiro de Itapemirim: “vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu”.

Três quartos de século depois de os nazis garantirem que “uma caminhada em Rothenburg reforçaria nos trabalhadores o espírito alemão” – mas apenas semanas após o episódio com Roberto “Goebbels” Alvim -, vem Paulo Guedes e: “vai três vezes para Foz do Iguaçu, Chapada Diamantina, conhece um pouquinho do Brasil, vai ver a selva amazônica. E na quarta vez você vai para a Disneylândia”.

Não tem nada a ver com dólar. Como ministro da Economia do “Novo Brasil”, Paulo Guedes é um belíssimo ministro do Turismo do Terceiro Reich.

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