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Na última terça-feira, 27, pesquisadores do Imperial College de Londres divulgaram um estudo segundo o qual o nível de anticorpos contra a covid-19 no corpo do sujeito cai após três meses da infecção.

No dia seguinte, quarta-feira, saiu um outro estudo, este publicado na revista Science e dizendo que os anticorpos contra a covid-19 continuam em alta cinco meses após a infecção.

A Folha informa que a diferença entre um e outro estudos, além dos resultados nada menos que inversos, é que o “do Imperial College ainda está em pré-print, ou seja, não teve revisão por pares. Já o estudo na Science passou pela avaliação rigorosa de outros cientistas da área”.

A Folha informa ainda que o estudo do Imperial College de Londres é recheado de inconsistências, foi contestado por especialistas e que:

“Além disso, é normal que o nível de anticorpos caia depois de o organismo de uma pessoa superar uma infecção. Ainda assim, as células do sistema imune carregam uma memória do vírus e são capazes de produzir novos anticorpos quando for preciso”.

Por que, então, a Folha publicou chamada de capa na edição desta quarta para tão inconsistente, falho, capenga, coxo, mas alarmante estudo sobre a covid-19? O jornal O Globo fez o mesmo.

Não se descobriu depois que o estudo do Imperial College de Londres tinha baixa, baixíssima relevância. A Folha, no texto da chamada de capa, diz mesmo que “o artigo – ainda sem revisão por pares – apresenta falhas”.

E se o artigo coxo do Imperial College, divulgado na terça, mereceu capa na quarta, o estudo substancioso, publicado na Science na quarta, não aparece, ora veja, na capa desta quinta-feira, 29. Nem na capa da Folha, nem na capa d’O Globo.

Em sua capa desta quinta, O Globo informa seus leitores, porém, que o jornal ganhou dois prêmios internacionais pela cobertura da pandemia.

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