Jornalista que espalhou notícia ‘equivocada’ sobre caso Marielle ganha cargo no governo

Jornalista que espalhou notícia ‘equivocada’ sobre caso Marielle ganha cargo no governo
Reprodução: YouTube.

Saiu na última quarta-feira, 27, na portaria 357/2019 do Ministério do Turismo, a nomeação de Raquel Cristina Brugnera para exercer o cargo de chefe de gabinete da Secretaria da Economia Criativa, órgão vinculado à Secretaria Especial da Cultura. Raquel Brugnera ficou “famosa” no início do ano por assinar um artigo dizendo que “O PSOL não quer mais saber quem mandou matar Marielle”.

No artigo, publicado no Jornal da Cidade Online no último 29 de março, dias após as prisões de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, diz a “jornalista” Raquel Brugnera:

“Passaram meses perguntando ‘quem matou Marielle?'”.

“Encontraram os assassinos e as expectativas foram frustradas ao descobrirem que eles eram empregados do tráfico de drogas e armas, ou seja, o mandante é alguém ligado a (sic) contravenção”.

“Sabendo que contraventores e traficantes odeiam o presidente da República, ‘a sede de justiça’ acabou!”.

“A vida dela valia tanto quanto a de todos os outros que o tráfico matou, principalmente para as famílias de cada um, mas sabemos que alguns eram ‘mais úteis’ à sociedade (me perdoem a sinceridade)”.

“No final dessa novela o que fica é a sensação de que nunca foi por justiça, sempre foi por interesse eleitoreiro”.

‘Consegui vencer os gigantes por 1 dia’

No dia seguinte à publicação do artigo, o site E-Farsas (“acabando com as fake news desde 2002”) fez uma postagem intitulada “O PSOL não quer mais saber quem mandou matar Marielle Franco?”, no qual dizia:

“Raramente desmentimos ou confirmamos aqui no E-farsas matérias de opinião – como essa publicada no site Jornal da Cidade Online – mas nesse caso recebemos tantos pedidos de esclarecimentos que resolvemos abrir uma exceção”.

Em seu artigo, o E-Farsas mostrou os fatos e o óbvio: nem Ronnie Lessa, nem Élcio de Queiróz são criminosos comuns, mas sim ex-policiais ligados à milícia, nem o Psol se calou ou abandonou a palavra de ordem “Quem mandou matar Marielle?”.

E concluia, o E-Farsas: “a história afirmando que o PSOL se calou ao tentar descobrir quem matou a vereadora Marielle Franco quando descobriu se tratar de “bandidos comuns” é falsa!”.

Poucos dias depois, o E-Farsas alterou a palavra “falsa” para “equivocada”.

Há menos de um mês, no dia 31 de outubro, Raquel Brugnera voltou à carga, outra vez no Jornal da Cidade Online, com o artigo “O dia em que o PSOL desistiu de saber quem mandou matar Marielle”.

No novo artigo, publicado apenas dois dias após o Jornal Nacional revelar o caso do porteiro que teria anunciado Élcio de Queiróz a “Seu Jair”, Raquel Brugnera se gaba de que aquele outro artigo, o de março, foi “o mais visualizado da semana em TODOS os portais, incluindo os gigantes como UOL e G1 – consegui vencer os gigantes por 1 dia!!”.

E diz também, a “jornalista”, que na época uma agência de verificação “rotulou o artigo de FAKE NEWS”, mas “o departamento jurídico do jornal entrou no caso e se resolverá tudo diante de um juiz”.

‘Docentes pela Liberdade’

Raquel Brugnera é integrante do grupo de direita, ou “anti-hegemonia da esquerda”, Docentes pela Liberdade (DPL). Na última segunda-feira, 25, Bolsonaro se reuniu com o presidente do DPL, Marcelo Hermes Lima, professor da Universidade de Brasília (UnB). Dois dias depois, saiu a nomeação de Raquel.

Nesta quinta-feira, 28, dia seguinte à nomeação de Raquel Brugnera para um cargo no governo Bolsonaro, o grupo comemorou: “temos assim mais um membro do DPL NACIONAL ocupando posições estratégicas no governo”.

Apenas horas antes o DPL comemorava a nomeação de um outro de seus “quadros” para a Secretaria Especial de Cultura:

‘Estupradores em potencial’

No último 19 de novembro, a agora Chefe de Gabinete da Secretaria da Economia Criativa disse que professores que falam em “posições sexuais com crianças” são “estupradores em potencial”:

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