Na última terça-feira, 11 de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) fez publicar e intimar que estava liberada a nomeação de Sergio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Cultural Palmares, atendendo pedido da Advocacia Geral da União.

No início de dezembro do ano passado, o juiz federal Emanuel José Matias Guerra, da 18ª Vara Federal de Sobral, no Ceará, suspendeu a nomeação de Sergio Camargo para o cargo, por Camargo ter por hábito “ofender justamente o público que deve ser protegido pela Fundação Palmares”.

“A nomeação […] contraria frontalmente os motivos determinantes para a criação daquela instituição e a põe em sério risco, uma vez que é possível supor que a nova presidência, diante dos pensamentos expostos nas redes sociais pelo gestor nomeado, possa atuar em perene rota de colisão com os princípios constitucionais da equidade, da valorização do negro e da proteção da cultura afro-brasileira”, disse o juiz do Ceará naquela decisão liminar.

A liminar foi referendada pelo desembargador Fernando Braga Damasceno, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no que a AGU foi, então, ao STJ. Agora, a “suspensão de liminar e de sentença” com que o STJ liberou na última terça a nomeação de Sergio Camargo autoriza, de lambuja e na prática, a prática de racismo no “meio virtual”.

“O fato de o nomeado, eventualmente, ter-se excedido em manifestações em redes sociais não autoriza juízo de valor acerca de seus valores éticos e morais ou mesmo de sua competência profissional, sobretudo quando se sabe das particularidades que permeiam as manifestações no citado meio virtual, território de fácil acesso e tido como aparentemente livre, o qual, por isso mesmo, acaba por estimular eventuais excessos dos que ali se confrontam”, redigiu o ministro do STJ João Otávio de Noronha, em sua decisão.

Nos “meios virtuais”, Sergio Camargo já se manifestou dizendo que “a negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”; “merece estátua, medalha e retrato em cédula o primeiro branco que meter um preto militante na cadeia por crime de racismo”; “vergonha e asco da negrada militante”; que a escravidão foi “benéfica para os descendentes” e, entre outros “excessos” francamente racistas, que “ninguém é louco de encarar” uma “afromimizenta”, que, sendo assim, não pode reclamar da “solidão da mulher negra”.

O músico e produtor cultural Oswaldo de Camargo Filho disse assim na época em que saiu a nomeação de Sergio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Palmares: “tenho vergonha de ser irmão desse capitão do mato”.

‘Heterossexuais não têm mais direito nenhum”

Noronha, em sua decisão, ainda salientou “a aptidão do Sr. Camargo para exercer as funções para as quais foi nomeado”.

No dia seguinte à decisão do STJ, Jair Bolsonaro comentou: “acho que o garoto que foi liberado ontem é uma excelente pessoa”. E confirmou, o presidente da República que mede negros por arrobas, que Sergio Camargo será reconduzido à presidência da Fundação Cultural Palmares.

Quem tiver curiosidade, e estômago, pode ler aqui a decisão do ministro João Otávio de Noronha, que, em 2017, quando ainda era corregedor nacional de Justiça, saiu-se com essa: “juiz constitucional não pode ser pautado apenas pelas minorias. Aliás, eu já vi que quero meus privilégios, porque os heterossexuais estão virando minoria. Não têm mais direito nenhum”.

Deixe um comentário

Deixe um comentário