Em abril último, pouco depois do início da pandemia, o Banco Mundial divulgou suas mais recentes projeções de crescimento para a América Latina e Caribe. Naquela feita, o economista-chefe do banco para a região, Martin Rama, o descobridor da pólvora, disse que países com mais dívida teriam mais dificuldade para lidar com a covid-19.

Assim disse o uruguaio, como se fosse um incendiário ativista pela moratória das dívidas externas dos países pobres, ou melhor, desculpe, ham, ham, “em desenvolvimento”, e não um alto funcionário de um dos maiores credores do planeta: The World Bank Group.

O Banco Mundial, empregador de Abraham Weintraub.

O tempo passa, voa, e o Banco Mundial, agora, quer ajudar, está ajudado os países com dívida a lidarem com a pandemia de covid-19. Como? Com mais dívida, ou melhor, desculpe, ham, ham, com “Resposta do Banco Mundial à covid-19 na América Latina e Caribe”, da qual fazem parte um empréstimo e dois créditos totalizando US$ 254 milhões para a Bolívia, onde há coisa de ano e meio Evo Moraes promulgou, antes de ser deposto, a lei do Sistema Único de Salud, – mais um SUS gratuito e universal.

Há ainda outras “respostas” à covid-19 da parte do Banco Mundial, como o uso de “Crédito com Desembolso Deferido para Catástrofes” (liberado para países como Colômbia, República Dominicana e Panamá) e, agora, conforme anunciado nesta terça-feira, 29, um plano de financiamento de US$ 12 bilhões para países pobres terem como comprar vacinas contra a covid-19.

Many countries will want to use this money“, disse o presidente do Banco Mundial, David Malpass, ao jornal britânico The Guardian, referindo-se tipo ao Burundi e no melhor estilo chantagista de filme B dos anos 40. O Guardian informa que:

“Para apoiar a implantação, o Banco Mundial já está realizando avaliações dos sistemas de saúde dos países para identificar lacunas e áreas para possível investimento como parte de sua abordagem geral para lidar com a Covid-19”.

E informou Guilherme Amado, na revista Época, seis dias atrás, que o “Banco Mundial quer reunião com Pazzuelo para discutir reforma do SUS”.

“O banco tem estudos sobre o assunto”, diz a nota. Claro que tem.

A última vez que apresentou ao Brasil ideias para o educação pública, tiradas de seus estudos, o Banco Mundial prescreveu cobrança de mensalidade nas universidades federais. Mas talvez a catástrofe de um milhão de mortos, e contando, pelo vírus Sars-CoV-2 tenha “ligado um chavinha”, mudado o mundo para melhor, e o Banco Mundial de brinde.

Quem sabe…

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