Marielle, presente! Witzel, presente quando partiram ao meio a placa de Marielle

Marielle, presente! Witzel, presente quando partiram ao meio a placa de Marielle

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, comandou nesta terça-feira, 12, a entrevista coletiva de autoridades do estado para tratar da prisão dos dois executores de Marielle Franco e Anderson Gomes, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz – respectivamente o apertador de gatilho e seu macabro chofer.

Witzel, porém, falou menos sobre a execução de Marielle e mais fez comercial do seu governo: louvou o trabalho das “forças de segurança” do Rio sob sua chefia; teve estômago para louvar a Polícia Militar do Rio, que pariu Lessa na condição de “exímio atirador”; que pariu Queiroz na condição de mais esse Queiroz.

Sob a sombra dos cadáveres de Marielle Franco e Anderson Gomes, não se fez de rogado, Wilson Witzel, para aproveitar o holofote e fazer auto-elogios sobre sua carreira de magistrado; sobre os investimentos que seu governo, segundo ele, vem fazendo em segurança pública, como em parafernálias de reconhecimento facial; para versar até sobre a Lava Jato, de que elogiou a estratégia de “fragmentação” das investigações.

Wilson Witzel teve fígado para dizer, na entrevista coletiva sobre os executores de Marielle e Anderson, que desde a campanha eleitoral se comprometeu em esclarecer o crime.

O vizinho

É o mesmo Wilson Witzel que, durante a campanha eleitoral de 2018, esteve num palanque em Petrópolis, na região serrana do Rio, na companhia de dois candidatos do PSL que, digamos, “fragmentaram”, naquele palanque, uma placa de homenagem a Marielle Franco. Ambos, os candidatos do PSL, como Witzel, foram eleitos no Rio com retumbantes votações.

Rodrigo Amorim, do PSL, eleito deputado estadual do Rio de Janeiro, ostenta em seu gabinete uma relíquia de campanha: a placa de homenagem a Marielle Franco “fragmentada” em Petrópolis.

Vestiam, os três, em Petrópolis, camisas da campanha de um candidato à presidência da República, vizinho de condomínio, na República da Barra da Tijuca, do “exímio atirador” que mirou e acertou, quatro vezes, a “cabecinha” de Marielle, para usar o léxico do governador.

Com a coletiva dada por terminada, após hora e meia – hora e meia para um ano de interrogações -, repórteres gritavam perguntas para o delegado Giniton Lages, da delegacia de homicídios. O delegado, já de pé, ensaiou respondê-las. Witzel, que já estava de saída, voltou e lhe sussurrou no ouvido: “acabou”. Em seguida, um qualquer assecla, tipo Lessa e mais esse Queiroz, puxou o delegado pelo braço para fora da sala do Palácio Guanabara.

Sobre a natureza do crime, o delegado disse que parece “crime de ódio”, o contrário de crime político. Sobre a vizinhança de Lessa com Bolsonaro, sobre uma foto de Bolsonaro com mais esse Queiroz, o delegado, claudicante, disse que, “por ora”, vizinhança e foto com o presidente da República “não têm importância” para o esclarecimento do assassinato de maior repercussão no Brasil entre os mais de 50 mil registrados no país em 2018.

E falou, o delegado Giniton, algo sobre “fragmentação” das investigações. Algo sobre “segunda fase”. E estamos conversados. “Acabou”.

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